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Reinventar a Portugalidade é preciso!


Somos um Povo de tragédia. Mas somos também um Povo de comédia. Em séculos de História buscamos sempre conquistas. Umas vencidas, outras tantas por cumprir.

O 13 de Maio de 2017 escreveu-se de forma singular e, mesmo para os menos crentes, está já inscrito na História do País.

A sua história foi contada, sem surpresas, através da imprensa e das redes sociais deste tempo novo, sempre iguais a si próprias e cumprindo o seu papel.

Da glória ao pessimismo, das mentalidades tacanhas às mais tolerantes, houve de tudo.

Contudo, se há coisa que este fim de semana nos provou é que a Portugalidade é um conceito que está ao alcance de qualquer um e que os feitos de um Povo, de união coletiva, se pautam por todas as ações individuais. Pelas boas e pelas más.

Para isso, basta acreditar. Acreditar que somos bons a fazer o nosso trabalho. Acreditar que o talento não basta para se ultrapassarem obstáculos. Que o sacrifício e o trabalho são essenciais para chegar lá.

Neste mundo de plástico, roubando as palavras ao Salvador Sobral, há sempre forma de chegar lá. Sendo quem somos, mostrando simplicidade naquilo que damos ao mundo, mesmo que meio país não fique convencido.

É por isso que vivemos um paradigma na sociedade atual. Temos de escolher entre a carneirada das redes sociais, cada vez mais desprezíveis pelos que a fazem, ou se queremos realmente trabalhar no melhor que sabemos, sem medos nem anseios pela espada da crítica.

A história que se fez a 13 de maio de 2017 é um bom momento para virarmos a página da Portugalidade. Porque Portugal não é apenas um país periférico ou um retângulo preguiçoso do sul da Europa que pediu um resgate financeiro internacional.

Portugal é um país com talentos. Portugal somos todos nós. E precisamos, mais do que nunca, de um grito coletivo, sem invejas nem más-línguas baratas.

Enquanto não ultrapassarmos este trauma, também ele coletivo, não teremos mais Salvadores, Mourinhos ou Ronaldos!

Crónica de 15 de maio de 2017, na Antena Livre, 89.7, Abrantes. OUVIR

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