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Inovação: o futuro empresarial português


Vivemos um tempo em que a crise económica recente e a flexibilização do mercado laboral provocaram uma revolução, para o bem e para o mal, na forma como as empresas lidam com a nova realidade e com os seus trabalhadores.

Há em Portugal casos paradigmáticos que deviam ser exemplo, que deviam fazer escola na profissão de gestor.

Falo do Grupo Lusiaves, uma referência do setor avícola e agroalimentar em Portugal, e que, ao contrário da maioria das grandes e médias empresas neste país, aposta em novos negócios sem nunca esquecer as pessoas.

O grupo vai duplicar este ano o seu investimento em trabalhadores, e passar de uma fasquia de 500 mil euros para um milhão de euros.

Ao mesmo tempo quer manter um ritmo de contratações de 220 pessoas por ano, a um ritmo mensal de 30 novas vagas a preencher.

Atualmente a Lusiaves conta com 3000 mil funcionários diretos e 2000 indiretos e está permanentemente em processos de recrutamento, sempre a tentar manter o talento nacional na esfera de influência económica no país.

Um dos administradores, disse recentemente que «agora que a economia e o mercado de trabalho começam a melhorar é essencial investir nos colaboradores».

É isto que deve ser o empresário português do século XXI. Com baterias apontadas para a inovação tecnológica sem nunca esquecer as pessoas e muito menos esmagá-las à medida que o desenvolvimento avança.

Quero hoje, nesta crónica, destacar a Lusiaves, porque ela representa o exemplo de futuro. Quer para as grandes empresas quer para as mais pequenas.

O ponto nevrálgico de qualquer organização deve, ou devia ser sempre as pessoas. Sem elas não há receita, sem elas não há atividade que resista e enquanto forem premiadas, lembradas e valorizadas, tudo pode correr bem.

Esta tem de ser uma das matérias primas mais importantes de uma economia. Porque a economia, que hoje comanda as nossas vidas, só pode resultar e ter sucesso se for feita com e para as pessoas.

Esperemos que o tecido empresarial português se lembre desta máxima em cada crise, em cada agonia, em cada momento mais importante do seu percurso.

*Crónica de 17 de abril, na Antena Livre, 89.7, Abrantes. OUVIR.

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