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Mensagens

A mostrar mensagens de Fevereiro, 2017

Portugal Político em tempos de Carnaval

O Portugal Político parece, de ano para ano, transformar-se cada vez mais numa novela digna de globo de ouro. É um bom tema para esta semana já que estamos no Carnaval.


Todos assistimos ao tom menos próprio que envolveu a classe política na polémica recente da Caixa Geral de Depósitos.
As guerras político-partidárias tendem a evoluir para um grau de dureza nos discursos que merece repúdio e condenação. Falamos da mesma classe que devia dar o exemplo, por várias razões, mas sobretudo pelo respeito que deve aos eleitores que colocaram no Parlamento cada deputado, cada cara, cada pessoa, em nome de um conjunto de promessas.
Contudo, e ao contrário da maioria, ainda há quem desça à terra e pelo menos demonstre algum respeito por nós.
Falo do antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, e do erro que assumiu este fim de semana em relação à vergonha relativa às transferências de 10 mil milhões de euros para paraísos fiscais entre 2012 e 2014, período em que a Troika por cá…

Pelos passos de Pessoa numa Lisboa só dele. E nossa também

«Falaram-me os homens em humanidade, Mas eu nunca vi homens nem vi humanidade. Vi vários homens assombrosamente diferentes entre si. Cada um separado do outro por um espaço sem homens». Alberto Caeiro
Texto e Fotos: Ana Clara

Fernando Pessoa tornou-se, até à luz dos nossos dias, o «poeta português e intemporal», como lhe chamou Almada Negreiros. Falar dele é sempre um exercício quase atroz para mim. Porque sou apenas uma amante devoradora da sua obra, mas não uma estudiosa. Porque conheço de cor alguns dos seus poemas e A Mensagem, mas tenho, desde sempre, medo de escrever sobre gigantes como ele.




Por mais dias que tenha a minha vida, jamais serão suficientes para conhecer-lhe todo o sangue que lhe corria na alma e no corpo. Este sábado, 25 de fevereiro, associei-me ao Roteiro dedicado ao poeta, promovido pela Lycos – Associação para o Desenvolvimento da Excelência




“Lisboa pela pena e pelos passos de Pessoa”, assim se designou a viagem, conduzida pela professora Maria João Carvalho. Sete m…

Há 30 anos calava-se a voz da liberdade

Foi a 23 de fevereiro de 1987. Faz hoje 30 anos. E o país é-lhe eternamente grato. 


O mapa vitivinícola de Portugal.

Para os que se interessam pelo setor, fica o mapa vitivinícola do país. Fonte: Sogrape Vinhos.

Somos todos PIB. Somos todos NIF. Somos todos país!

Há anos que calcorreio o país. Entre aldeias, vilas e cidades, posso dizer, sem errar muito, que se há povo que conheço, é o meu. Sempre de caneta na mão, gravador na outra e máquina fotográfica ao peito. 
Há anos também que reclamo por um olhar urgente e preocupante pelo Interior, no combate à desertificação e à dura realidade do êxodo dos mais jovens. É por isso que aplaudo, cá de baixo, os apoios que se têm multiplicado aos conhecidos “territórios de baixa densidade”. Só no Centro foram já aprovados cinco programas PROVERE, que somam 10 milhões de euros até 2018. 
Projetos como as Aldeias Históricas e Aldeias do Xisto são alguns dos contemplados. E merecem muito, sobretudo pelas gentes que lhes pertencem. 
Espero que os tutelares do(s) poder(es) tenham a coragem, de uma vez por todas, de colocar o Interior «abandonado» no topo dos dossiers no Terreiro do Paço. Somos todos portugueses, somos todos PIB e somos todos NIF. 
Por isso, somos também todos iguais nas oportunidades de desenvolv…

Azeite: uma riqueza que Abrantes tem sabido potenciar

O Congresso Ibérico do Azeite está de regresso a Abrantes entre 10 e 12 de Março.
É com grande satisfação que vejo a iniciativa ganhar força, ano após ano, dando ao concelho e à região, um forte impulso no setor do azeite.
Esta é uma fileira fulcral do ponto de vista económico e social, sendo que é também por ela que passa o futuro da agricultura nacional, tendo em conta o número de postos de trabalho que suporta.
Abrantes, região com forte ligação à produção e cuja comercialização e exportação ganhou fôlego nos últimos anos, marca assim pontos numa área essencial à economia nacional.
E é importante dizer também que o setor do azeite é fulcral não só no mercado das exportações como na área alimentar. Porque exportar mais e mais pode e deve ser sempre uma das prioridades para combater as importações e alcançar a autossuficiência.
A valorização dos subprodutos da fileira é outro importante ponto que é preciso explicar aos consumidores. Porque são eles os destinatários desses novos produto…

Sudão do Sul: o drama da fome

Já o sabíamos há muito, fruto das notícias que nos chegam via agências internacionais. 
Mas agora a realidade é confirmada pelas autoridades do Sudão do Sul. 
O governo decretou pela primeira vez oficialmente que a fome afeta várias partes do país. Uma situação que as agências humanitárias dizem ter a causa mais feroz na guerra que devasta o país há mais de três anos. Um conflito que já fez mais de três milhões de deslocados, uma grande parte dos quais procurou refúgio no vizinho Uganda. Será possível que o Mundo olhe para isto de forma igual? António Guterres tem aqui um papel decisivo. O Norte rico pode e deve ajudar o Sul pobre. Morrer de fome em pleno século XXI devia ser crime.

A incongruência do país político

O país muda consoante os ventos. Os políticos também. Serve isto para falar-vos esta semana de algo que, enquanto cidadã e eleitora, me tem perturbado. Não é uma perturbação de agora, mas desde sempre. Falo das incongruências dos nossos políticos quando se encontram no poder e quando passam para a Oposição. Vimos isso constantemente no PS e no PSD, e na alternância de poder entre estes dois partidos, existente em Portugal durante décadas. É um estado habitual este o de defender uma coisa quando somos Governo, e outra bem diferente, quando passamos para o difícil papel na Oposição. Contudo, talvez por isso me custe mais aceitar o papel a que hoje se confinam PCP e Bloco de Esquerda, reféns do acordo com o Governo de Costa. Seja no caso da venda do Novo Banco, na novela da Caixa Geral de Depósitos, ou em tantas outras matérias, comunistas e bloquistas perdem coerência, identidade e desviam-se daquilo que sempre foi e é o seu papel mais relevante na cena partidária nacional: o de partidos de …

ALA: o amor incondicional inscrito na minha vida

Apaixonei-me por ele aos 14 anos. 

Até hoje vivo, com ele, sem ele, comigo, um amor incondicional, espelhado em noites e dias de livros sem fim, que ao mundo pertencem. 

Ala, desnuda-se mais uma vez, sem surpresas, como todos o conhecemos. 

Tirando Saramago, continuo a concordar com todas as suas loucuras. Porque com ele tornei-me uma louca nas longas caminhadas da vida. Nos saudosos prazeres da vida. 

Sem os seus livros, sem os seus sonhos, jamais seria quem sou. Porque o meu caminho tem um nome escrito nas paragens: António Lobo Antunes. 

Fotos e citações retiradas da Revista do Expresso de 11.02.17.

















Autárquicas 2017: a falta de alternativa e o teste às lideranças à direita

Em ano de eleições autárquicas vemos por cá o reflexo daquilo a que chegou a política portuguesa e os nossos políticos em 2017.


Num tempo em que a esquerda governa o País é a direita quem anda à deriva, vemos por aí a incapacidade de aprovar nomes de peso candidatos às autarquias mais emblemáticas do país e onde é imperativo vencer.
Para PSD e CDS, nas autárquicas de 2017 poderá estar mais em jogo do que a mera conquista de câmaras, as lideranças atuais vão claramente também ser testadas.
Se Passos Coelho tem uma grande dor de cabeça em Lisboa, Assunção Cristas, que optou por dar a cara pela capital, terá obrigatoriamente de ter um resultado decente, sob pena de ser varrida não só em Lisboa como no partido.
Pedro Passos Coelho, que podia vincar de forma capaz a Oposição ao PS, tem andado mal assessorado, com posições incongruentes que afetam, e de que maneira, o posicionamento ideológico do partido.
Alvo constante de críticas internas pela forma como está a conduzir a oposição ao Governo,…

Trump: o proteccionismo de má memória

Proibição de entrada de imigrantes e refugiados de sete países maioritariamente muçulmanos nos Estados Unidos. Construção de um muro na fronteira com o México. Eliminação total do combate às alterações climáticas, ignorando o acordo global estabelecido na Cimeira de Paris. Fim do programa de saúde mais ambicioso dos últimos anos – o Obamacare – que garantiu seguros de saúde a cerca de 20 milhões de pessoas pobres nos Estados Unidos.
Os primeiros dias de Donald Trump à frente da presidência dos Estados Unidos foram assim. Cumprindo o que prometeu na campanha eleitoral mais fraca de sempre, onde o populismo ditou o caminho que conduziu à Casa Branca.



Na verdade, Trump está a ser um anti-político no que ao seu eleitorado diz respeito. Durante a tomada de posse, em Washington, reafirmou os princípios que delinearam a sua campanha como candidato republicano. Atacou os políticos e prometeu devolver o poder ao povo. O novo lema da liderança dos EUA terá duas “regras simples: comprar americano,…