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Mensagens

A mostrar mensagens de Dezembro, 2016

Feliz Ano Novo a todos!

Louriceira: um símbolo de resistência no mundo rural português

Hoje quero falar-vos do que sou, propondo-vos uma viagem ao que de mais profundo há neste Portugal rural, numa viagem que começa em Abrantes e termina na pequena povoação de Louriceira, uma aldeia esquecida no concelho de Mação, na fronteira entre o norte ribatejano e o sul da Beira Baixa. A pequena estrada, íngreme, que começa no alto dos vales, continua igual há 30 anos: estreita, mal passa um automóvel. O desenvolvimento, na pequena aldeia da minha infância, que conta hoje com pouco mais de 10 habitantes, teima em não chegar. A escola primária há muito que fechou as portas, caindo na degradação. Facto natural numa localidade onde as crianças não nascem. Os jovens são poucos e os velhos são uma imagem da resistência.  Chego na tarde de Natal. O sol passeia-se por ali, entre vales e montes, a chamar por mim. A viagem rumo à Louriceira é feita de olhares atentos. Numa paisagem de montes e vales, deixo a estrada principal que vem desde Abrantes. À medida que desço o Vale, avistam-se, aqui …

Louriceira: a aldeia da minha infância onde os velhos são símbolo de resistência

Ao longe avisto a pequena povoação de Louriceira, uma aldeia esquecida no concelho de Mação, na fronteira entre o norte ribatejano e o sul da Beira Baixa. A pequena estrada, íngreme, que começa no alto dos vales, continua igual há 30 anos: estreita, mal passa um automóvel. O desenvolvimento, na pequena aldeia da minha infância, que conta hoje com pouco mais de 10 habitantes, teima em não chegar. A escola primária há muito que fechou as portas, caindo na degradação. Facto natural numa localidade onde as crianças não nascem. Os jovens são poucos e os velhos são uma imagem da resistência. Crónica em breve! Festas Felizes a todos! E não se esqueçam, quem partilha é feliz. ❤

Marcelo: a picareta falante do regime

Não é a primeira vez que aqui falo do atual presidente da República e da forma irreverente e particular com que Marcelo Rebelo de Sousa exerce a função. Contudo, há factos e factos. E, a verdade, é que Marcelo tem extrapolado, em muito as funções presidenciais. O facto de querer ser um Presidente ativo, um Presidente dos afetos, como ele próprio lhe chama, não pode significar interferência em matérias que competem unicamente ao Governo e que se enquadram no âmbito do poder legislativo. Serve isto para dizer que a lamentável cena do passado fim de semana, transmitida em todas as televisões, em que vemos Marcelo a servir de mediador numa conversa entre o diretor do Teatro da Cornucópia, em Lisboa, e o ministro da Cultura, para evitar o fim desta companhia, é deveras preocupante. O Presidente pode e deve fazer o que puder para ajudar na resolução de problemas graves. Contudo, o que aqui se passou foi algo surreal, algo que apenas compete ao Governo, algo que qualquer Presidente não faria…

12 de dezembro de 2016: dois portugueses maiores no mundo

No mesmo dia, António Guterres tomou posse como secretário-geral da ONU e Cristiano Ronaldo vence a 4.ª Bola de Ouro da sua carreira. Dois exemplos maiores de portugueses que simbolizam o esforço e dedicação às suas causas. É isto que Portugal e todos nós precisamos.

Com todo o meu amor, dedicado aos anjos de Alepo

Caminhamos a passos largos para o Natal. Esse tempo de família, esse tempo onde o consumismo vem ao de cima no Ocidente, o mesmo tempo em que na Síria há uma cidade prestes a desaparecer do mapa. É sobre ela que hoje quero falar. De Alepo, chegam-nos todos os dias imagens que ferem a alma, que não nos podem deixar dormir em paz, que nos matam devagar, de forma dolorosa e interminável. Conseguimos imaginar o que é viver numa cidade onde as bombas caem a cada segundo? Será que conseguimos saber o que é viver há meses debaixo de fogo cruzado? Conseguimos imaginar o que é perder familiares e amigos todos os dias? Será que conseguimos perceber realmente como é respirar com rios de sangue a nosso lado? Não, não sabemos. O genocídio que está a ser cometido na Síria é o maior desde que me lembro de ser gente. Milhões de pessoas deslocadas, milhares mortas, muitas delas crianças, hospitais destruídos, casas, prédios, património da Unesco traduzido em cinzas. Assim é hoje o que resta de Alepo, …

Srebrenica: o massacre que não pode ficar impune.

A Sérvia inicia hoje o primeiro julgamento no país relacionado com o massacre de Srebrenica, em 1995, considerado o maior ocorrido na Europa a seguir à segunda guerra mundial. Oito homens vão responder perante um tribunal que julga crimes de guerra em Belgrado e estão acusados de terem participado na matança de centenas de muçulmanos perto de Srebrenica. Porque não pode ficar esquecido nem impune um dos maiores massacres do século passado.

Regressar a um horror chamado Mein Kampf

Dez anos depois, no mesmo mês de dezembro, por mera coincidência, regresso a uma das leituras mais difíceis da minha vida. Há muito que sabia que tinha de voltar a ele. Sei que a maturidade dos 20 não é a mesma que a dos 30. E quem sabe, para me convencer do monstro, tenha de regressar a ele daqui a dez anos. Porque não posso nunca esquecer como começam os homens sanguinários.

A escolha da Time

PSD: a deriva interna de quem está na Oposição

É um clássico dentro do PSD: virar-se para as questões fraturantes quando está na Oposição. Agora, ficámos todos a saber que Passos Coelho vai abrir o debate sobre a eutanásia no interior do partido. Depois do penoso caminho da governação Troika, depois da perda identitária da social democracia e de tanta guerra instalada na unidade “laranja”, pela São Caetano não há tema mais importante para o partido se assumir? O que mais assusta é saber que, tradicionalmente, o PSD é um partido que não assume estas causas. Para quem pretende ir a votos nas próximas legislativas e vencer a união das esquerdas, as prioridades pelas cúpulas laranjas andam invertidas. Dizemos nós, cá de baixo, da nossa pequenina visão.
Nota: o PSD continua, tradicionalmente, a dar-se mal no papel da Oposição. E era importante que pensasse bem em resolver esse problema que há muito lavra na sua identidade. 

Paulo Macedo: o bombeiro do regime

Depois do vendaval que assolou a Caixa Geral de Depósitos e da saída de toda a cúpula da administração, o Governo convidou um Homem que é chamado a apagar fogos sempre que a Pátria precisa dele. Da esquerda à direita, que é o mesmo que dizer PS e PSD, Paulo Macedo reúne consensos e é respeitado pelos homens que neste país comandam na política. Depois da revolução que fez no Fisco, tornando a máquina fiscal mais eficiente e oleada, Paulo Macedo deixou uma gestão intacta quando passou pelo ministério da Saúde. Agora chega à Caixa para cumprir um plano que não é seu, mas que tem de ser levado até ao fim sob pena de tornar o banco público num barril de pólvora no sistema financeiro português. Paulo Macedo deu provas ao país do que vale. É um gestor com cabeça fria, que sabe liderar equipas, que conhece bem as estruturas que comanda. Ao mesmo tempo é um homem sensível e com capacidade de abertura para enfrentar crises e superar desafios. É por isso que os portugueses podem e devem ficar tr…

Estará o comunismo português em mudança?

O PCP, reunido em conclave, no passado fim de semana, manteve não só a sua essência, de partido comunista ocidental - dos poucos que ainda resiste na Europa de forma coesa - mas revelou também ser capaz de se abrir à sociedade, mediante o seu importante e atual papel de parceiro parlamentar no Governo de António Costa. Talvez este seja o fator chave que explica esta aparente mudança na forma como comunica. Cumpridor de regras, vimos em Almada uma organização imaculada, onde nada falhou e tudo foi programado ao segundo. Jerónimo de Sousa foi consagrado líder inquestionável. Resta saber como se fará, dentro de anos, a inevitável renovação. Até lá veremos se a abertura comunista à sociedade civil se manterá. Nós por cá gostámos de ver.

Sá Carneiro e o fatídico 4 de dezembro de 1980.