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Mensagens

A mostrar mensagens de Outubro, 2016

Feira da Doçaria em Abrantes no próximo fim de semana

No próximo fim de semana Abrantes fica mais doce. Como já vem sendo hábito, todos os anos por esta altura todos os caminhos vão dar à XV Feira Nacional de Doçaria Tradicional. Os abrantinos já conhecem de cor as iguarias que por esta Feira estão à prova e saltam à vista dos mais gulosos. Serve este espaço de opinião esta semana para convidar o país inteiro a rumar a Abrantes entre 28 e 30 de outubro. O país, fora dos grandes centros urbanos, é cada vez mais um retângulo que pula e avança em várias áreas. Na gastronomia, no enoturismo, na agricultura, nas tradições e cultura, enfim, num sem fim de iniciativas que promovem os produtos locais e o melhor que cada terra tem para oferecer. Abrantes não tem ficado para trás neste comboio da reinvenção local e económica. Se olharmos para o calendário de eventos que por aqui se organizam anualmente percebemos que o concelho tem futuro e que também com isto se joga muito da coesão económica e social. Potenciar o melhor que cada região dá, promo…

OE/2017: o orçamento (possível) socialista.

A entrega dos Orçamentos neste país é sempre envolta num circo mediático tremendo. O documento, que rege as principais linhas orientadoras da gestão do próximo ano, é importante e deve ser visto como tal, mas em serenidade e não à velocidade do frenesim que a imprensa lhe confere. Mas vamos a factos. Este é realmente o primeiro Orçamento do Estado do Governo PS, liderado por António Costa. É aquele em que podemos analisar as linhas ideológicas, estratégicas e políticas escolhidas. Sabíamos que temos Bruxelas à perna com o défice. Sabíamos que não podemos abrir os cordões do lado da despesa porque a receita irá tremer. E sabíamos também que temos um crescimento interno anémico que impera impulsionar. Sabemos nós e melhor que nós sabe o ministro das Finanças, Mário Centeno, que apesar disso, lembrou que em 2017 é preciso dar mais ênfase às exportações e ao investimento. Na verdade, numa coisa a direita tem razão, este Orçamento assenta numa lógica de aumento de impostos. Mas assenta est…

Bob Dylan: Nobel da Literatura.

Durante o dia, longe da intoxicação da rede, refleti imenso sobre a chamada "surpresa" do dia. É histórico. É fora da caixa. E é, acima de tudo, justo. Só os "velhos do restelo" não mudam. Só os resistentes à mudança e a uma outra forma de olhar o mundo não o perceberão. Era a minha escolha? Não, talvez porque reconhecendo-lhe eu toda a carreira nasci num outro tempo, fui moldada por outros que se lhe seguiram. Mas sobre isto ainda hei-de falar. E não, também não era Lobo Antunes a minha escolha, para muitos os que hoje me perguntavam: "ainda não foi desta que o teu ALA...". 2016 não seria de todo o ano dele. Contudo, para os que também por cá acham que é o eterno não-nobelizado, deixo uma sugestão: experimentem ler a prosa antuniana até 2010. Sobretudo até 2010. Perceberão que a obra ficará eternizada no lugar próprio. O problema é que a maioria dos que falam - bem ou mal do António - nunca leram uma única linha da sua obra. É isso que me deixa sempre tr…

Guterres: a vitória da diplomacia.

Não podia deixar passar o assunto mais badalado da semana sem falar nele nesta antena. António Guterres foi eleito secretário-geral das Nações Unidas. O feito é gigante, traçado por mérito e suor e sem armadilhas de outras eleições no coração da ONU. Ao contrário do que muitos acham, esta é uma grande conquista. Não por Portugal, não por Guterres mas pelos milhões de pessoas que sofrem, em todo o mundo, às mãos de guerrilheiros que matam em nome de nada. Independentemente das qualidades de António Guterres, que as tem, desde logo a começar pelo lado humanista do seu percurso de vida e acabando nos dez anos que esteve à frente do ACNUR - a Agência da ONU para os refugiados, na verdade há uma conquista que quero aqui realçar. Falo da vitória e esforço da diplomacia portuguesa. Este foi um trabalho de meses ao nível de bastidores que mobilizou dezenas e dezenas de portugueses. Um trabalho que só foi possível pela extensa lista de contactos efetuados pelo corpo diplomático. E aqui tenho i…

Um beijo, avó. Estejas tu onde estiveres.

Se estivesses viva, hoje comemoraríamos a felicidade. Já não tenho avó. Nenhuma. Hoje, em particular, vergo-me perante quem foste e o que deixaste em mim. Porque, quando nasci, só te tinha a ti. E fazes-me tanta falta... Obrigada, avó.

Chegar à ONU pelo mérito.

Humanista. Firme nas ideias e das origens. Foi um péssimo primeiro-ministro? Foi, na minha opinião. Mas o que António Guterres hoje alcança vai muito para além da Política. É fruto de décadas de suor, de provas dadas nos tabuleiros internacionais. E chega lá por mérito e não por qualquer nomeação. Por tudo - e tanto mais - é um exemplo. Para nós, que temos o mesmo sangue. Para o Mundo. E ainda por cima no 5 de outubro. 
Escolhemos a primeir página do DN, uma das mais brilhantes dos últimos tempos. Fico particularmente feliz por vir do DN. É por dias como este que continuo a acreditar que a imprensa escrita jamais poderá morrer. Mas se morrer, acreditem, continuará a fazer muita falta. :-)

Produtividade parlamentar: avaliação? Não, isso não é para nós.

Orlando Ribeiro: o homem que se emocionava com as paisagens.

Calcorreou o país rural de lés a lés, inseparável da sua máquina fotográfica e dos seus cadernos. Orlando Ribeiro observava tudo ao detalhe. Depois, escrevia, denunciava, descobria. É o «pai» da geografia moderna nacional, e, infelizmente, pouco se fala nele no país, na sociedade civil, na imprensa. Cedo me apaixonei por ele e pelo legado único que nos deixou, documentando a terra e a cultura portuguesas nas décadas de 40, 50 e 60 do século XX, e num país ainda hoje marcado pela diversidade de paisagens. As heranças científica, histórica e etnográfica permanecem vivas graças a si. Recomendo os famosos «Cadernos de Campo», uma obra magnífica do geógrafo, viajante, fotógrafo mas, acima de tudo, do Humanista. Hoje foi dia de reencontro com ele e sempre que puder, tudo farei para manter viva a memória de Orlando Ribeiro, o menino que se emocionava com as paisagens. O homem que carrega também parte do que sou.