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Mensagens

A mostrar mensagens de Agosto, 2016

Marcelo: o presidente incoerente.

O perigo de termos um Presidente interventivo como é Marcelo Rebelo de Sousa é que o Chefe de Estado corre, com isso, muitos riscos. Um deles é o de querer dar atenção a todos os setores e, pelo meio, muitos ficarem para trás e esquecidos. Não foi, por isso, à toa, que nos últimos dias, a Confederação Nacional de Agricultura, veio desafiar o Presidente Marcelo a pronunciar-se sobre aquilo que diz ser a “ditadura comercial” dos hipermercados que “impõem preços de arrasar à produção nacional”. A Confederação referia-se aos problemas que atingem o setor do leite, sobretudo no último ano, bem como às consequências que o impacto do fim das quotas leiteiras imposto pela União Europeia teve no país. Marcelo sabe que não consegue chegar a todos. Mas, ao mesmo tempo, tem a noção do erro ao prometer chegar lá.O preço a pagar em Belém por alguns setores da sociedade civil serem mais acarinhados do que outros, é grande. E este é um preço muito elevado já que, não é só na agricultura que se levant…

BPN: o fardo para os bolsos dos contribuintes.

Oito anos depois de ser nacionalizado pelo Governo de José Sócrates, o BPN continua a ser um monstro que pesa sobre as nossas cabeças. De acordo com uma investigação do Expresso, a fatura final para os bolsos dos contribuintes pode chegar aos 9 mil milhões de euros. Todos os anos os prejuízos do banco são sempre a somar. Só desde 2011, as perdas geradas pelo BPN ascendem a 3,2 mil milhões. E até agora o Estado já assumiu, no total das perdas, 5 mil milhões de euros. A juntar a este elefante branco, que fragilizou o sistema financeiro português, está o problema da despesa pública. Desde 2010, o primeiro ano em que o impacto do BPN entrou para as contas do défice, que as contas nacionais têm tido este peso acrescido. Um fardo que coloca em cima de todos nós facas com gumes bastante afiados. Um peso cuja fatura veio para ficar, e que nos acena através dos sucessivos aumentos da carga fiscal. Estamos em 2016, e entretanto, já ruiu o Banif, o BES e a Caixa Geral de Depósitos está no impass…

Amatrice: o palco da impotência.

Amatrice, Itália, 24.08.16. A dimensão da tragédia faz-nos pensar que somos pó ante a Natureza, o clima e as forças que nos ultrapassam. Fotos: Reuters 

Portugal: um país a arder há décadas

Nagasaki foi há 71 anos

A 9 de agosto de 1945, com a II Guerra Mundial ainda em marcha, os EUA lançaram um novo ataque atómico ao Japão. Depois de Hiroshima foi a vez de Nagasaki. Duas cidades diferentes, a mesma destruição que ficou para a História. Faz hoje 71 anos.

A honra dos Homens de Estado.

Num agosto escaldante em que a silly já não é o que era, o país ficou a saber que ainda há homens inexperientes que nos governam. O caso dos três secretários de Estado que viajaram, a convite da Galp, para assistir a jogos do Europeu de Futebol em França foi a grande parangona da semana. Na verdade, sabemos todos que não é a tentativa de corrupção que está em causa, já que jornalistas, políticos e gestores deste país sabem que é comum este género de convites. Na verdade, e na maioria das vezes, este género de cortesia serve para aprofundar relacionamentos entre as partes e relações de confiança profissional. Partindo daqui, há o lado negro do caso. No exercício de cargos públicos, aceitar este tipo de prebendas revela tudo menos sentido de Estado. Por mais que não venha mal ao mundo, vem ao mundo o mal do boato, da imagem e da famigerada dependência do poder político ante o económico. Tudo isto se adensa mais quando um dos secretários de Estado, dos Assuntos Fiscais, começa a semana a…

Portugal: refém de homens que se servem a si próprios.

Jorge Costa Oliveira, secretário de Estado da Internacionalização, Rocha Andrade, secretário de Estado dos Assuntos Fiscais e João Vasconcelos, secretário de Estado da Indústria. São estes, até ao momento, os três membros do Governo que, nas últimas horas, estão sob fogo da imprensa nacional. Aceitaram o convite da Galp para assistir ao Portugal-Hungria, no âmbito do Campeonato Europeu de Futebol. Estamos na silly e esta já não é o que era. Mas na verdade é inacreditável que a promiscuidade entre a política e a economia permaneça intacta e depois de tantos e sucessivos casos em décadas passadas. Promiscuidade essa sempre presente nos partidos de poder e que integram o arco da governação. PSD e PS são expert nisto. Seja qual for a nossa atividade profissional há que ter decoro e decência. E, na Política, como há muito sabemos não basta parecer, há que ser. António Costa está ainda a aprender a domar o seu rebanho, mas já devia, depois do caso João Soares, na Cultura, ter aprendido a li…

IMI: as nossas mentes brilhantes.

Entra hoje em vigor a alteração ao Código do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) publicado ontem em Diário da República. Por mais que tente não consigo entender qual foi a mente brilhante que considerou, na lei, aumentar o IMI para quem tenha habitação com boa exposição solar (orientação a sul), tiver um terraço. ou estiver num piso mais elevado. Nestes casos, o coeficiente pode aumentar até 20%. No Alentejo, essa terra de gente farta e rica, deve ser uma razia de aumentos. Quando o consumo interno estagna, as exportações diminuem e há estrangulamentos económicos que persistem, é sempre bom para a economia - setor imobiliário, leia-se - e para a população serem penalizados só porque, coitados, tem luz a rodos a entrar em casa. E assim vai o burgo.

Na silly 2016 chegou a primeira (grande) vitória política de António Costa

Começa hoje o período áureo da chamada silly season de verão. O mês de agosto é o clássico tempo do vazio no país, com o Algarve à pinha, os emigrantes a animarem as vilas e aldeias do interior e onde as notícias sãomais uma miragem do querealidade propriamente dita. Contudo, parece cada vez mais, que a velha frase que dita que a tradição já não é o que era,se confirma. Este verão de 2016 tem sido escaldante, não só ao nível das temperaturas como na arena política. Desde as sanções a Portugal que culminaram na semana passada com um misto de vazio pela provocação criada a partir de Bruxelas, passando pela campanha presidencial americana, e acabando no terror que tem povoado a Europa, podemos mesmo dizer que a silly do costume já não é o que era. Nesta silly já bem diferente de outros tempos há vitórias políticas que se inscrevem na história. A do Governo, e em particular, de António Costa, no que respeita às sanções a Portugal por défice excessivo, é uma delas. O primeiro-ministro fez …