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Mensagens

A mostrar mensagens de Julho, 2016

Do El Dorado às contas de lixo

Com a crise que se abateu em Portugal nos últimos anos e o desemprego enorme que bateu à porta de muitos portugueses, Angola tornou-se, em pouco tempo, o destino ideal para milhares. Bons ordenados, ajudas de custo e em muitos casos casa paga. Ao contrário, em Portugal, salários miseráveis, desemprego e desespero. Muitos portugueses procuravam uma vida melhor em Angola, mais desafogada, mas de repente tudo mudou. A desvalorização do petróleo e a crise cambial aí estão com milhares de emigrantes portugueses a deixaram de receber em dólares e a receberem agora em Kwanzas, levando à perda real de muitos salários dourados. Como muitos já dizem, passaram de contas de luxo para contas de lixo. As famílias em Portugal com contas para pagar, desesperam. O dinheiro já não chega a rodos de Luanda.Os bancos não têm dólares e as empresas estão sem dinheiro para pagar a trabalhadores e fornecedores. A juntar a tudo isto, a linha de crédito criada pelo Governo de Passos Coelho para apoiar a tesoura…

Com amor, dedicado a ti, Cristiano!

Há uma semana estive tentada a falar, nesta crónica, da conquista do campeonato europeu de futebol. Estive, digo bem. Mas não o fiz. E não o fiz porque sabia que ainda não estava tudo vivido. Há uma semana por esta hora os novos heróis deste país estavam a chegar a casa, num dia que fica para a história como único e épico. Portugal vence, pela primeira vez, na sua história, um campeonato europeu de futebol. Um país, acabado de ser resgatado, que precisa de auto-estima como nenhum outro, um povo que merecia, há muito, uma felicidade assim. Alguns dirão que se trata apenas de futebol. Que a felicidade, essa, é efémera. Que tudo passa e que daqui a meses a euforia já passou. Mentira. Pura mentira. Esta conquista representa um marco na história de Portugal. Simboliza sacrifício, esforço, dedicação e glória. Significa que nós, portugueses, essa nação sempre puxada para baixo, é melhor do que muitas vezes julga. Significa que temos valor e que desistir é palavra proibida num lugar onde todo…

Jobs for the boys: o cancro da administração pública nacional.

É um clássico sempre que a cor política no poder muda, assistirmos todos às danças de cadeiras nas cúpulas da administração pública. Quem por cá anda atento percebe que com o Governo de António Costa não houve exceção que alterasse a regra. Do Ambiente às Finanças, do Emprego à Segurança Social, passando pela Saúde, Agricultura e Educação, quem acompanha a atualidade informativa do país sabe que os «jobs for the boys» aí estão, em força e com a celeridade de sempre. Acontece com António Costa, como aconteceu com Pedro Passos Coelho, José Sócrates, Durão Barroso, António Guterres e Cavaco Silva anteriormente. É um conceito instaurado nas capelinhas partidárias e que, por mais que os líderes digam que não, é certo e sabido que a tentação é maior do que a vontade. Em 2014 recordo-me de uma tese de doutoramento da Universidade de Aveiro que analisou 11 mil nomeações em 15 anos e concluiu que a maioria serviu para recompensar lealdades partidárias.Para este cancro que mina a evolução de um…

Primeiras páginas de um 10 de julho histórico.

Somos Povo. E é real.

Há momentos na vida de um país, de um povo, de gente de carne e osso, como uma seleção que são eternos naquele preciso instante em que se consomem. Há momentos na história de uma Nação que são assim, épicos, repletos de justiça reposta de outros torneiros, de outras décadas, de outras lágrimas. O 10 de julho de 2016 é e será sempre um marco para cada português no Mundo. Foi o Dia em que Portugal se sagrou campeão da Europa de futebol. Foi o dia que, novos e velhos, mereciam. Foi o dia que ficará para sempre nas nossas vidas como aquele momento ímpar. Como ontem dizia: podemos morrer hoje, que vimos isto. E foi a sério. E foi real. Há, entre todos os milhões, um que merece isto mais que todos. Esse português, que representa aquilo que há de mais bonito na vida - raça, esforço, dedicação, empenho - chama-se Cristiano. É por isso que este feito é teu por inteiro. Obrigada por isso. Obrigada por tamanha felicidade que fez chorar tantos à minha volta. Prantos de alegria aguardados há uma V…

O último tango em Paris é português.

O sonho é Paris, o sonho tem um nome: acreditar. Que o palco de todos eles seja de um país que precisa de um feito gigante para acreditar que não é pior que nenhum outro. Que é tão válido como todos. Acreditemos que as cores da França possam representar sorrisos maiores da Europa mais a sul, sempre tão esquecida noutros palcos.

Durão Barroso: a fazer pela vidinha.

Vivemos num país onde a carreira política é o trampolim menor para se chegar lá longe: à folha salarial dos milhões. Não importa se se vira costas a um país que nos elegeu, não importa se nos subjugamos às ordens da ditadura económica dos tubarões que comandam o mundo, nem sequer se mudamos de opinião tantas e tantas vezes. O que importa é fazermos pela vidinha. É isso tudo e muito mais que Durão Barroso, legitimamente, tem feito, seguindo agora para presidente não executivo e consultor da Goldman Sachs. Siga.

PSP celebra 149 anos

Sou suspeita na celebração da data. Nasci no meio de uma família PSP. Conheço, enquanto observadora próxima, a instituição como poucos. Além da proximidade pessoal, mais tarde, conheci-a melhor ainda, devido à profissão, que me levou ao cérebro da mesma. É por isso que hoje, o dia em que se evocam os 149 anos de Polícia de Segurança Pública, o país lhe presta a homenagem devida, com o primeiro-ministro, António Costa, a carimbar o momento ao final da manhã na Direção Nacional da PSP, na Penha de França, em Lisboa. Sem a PSP estas décadas de democracia seriam, decerto, mais negras. A estes profissionais devemos, diariamente, a nossa segurança, a nossa liberdade também. 

Na culpa dos números a responsabilidade morre (sempre) solteira.

Sempre que o poder alterna entre PS e PSD é já um clássico assistirmos a troca de acusações mútuas entre os seus dirigentes. O legado anterior nunca é assumido por quem governa. A culpa dos números é sempre de quem antes pelo poleiro passou. Na guerra instalada cá dentro e em Bruxelas sobre eventuais sanções a Portugal por défice excessivo, é raro vermos uma figura responsável a assumir as suas responsabilidades. Se à esquerda a ordem é para combater a Comissão Europeia e a austeridade, à direita o discurso passa por defender as políticas implementadas durante os quatro anos passados. Se Passos Coelho foi um comandante exímio das ordens da Troika, António Costa quer mostrar ser o contrário e ficar para a História como o primeiro-ministro que reverteu quase tudo o que foi feito. Sabemos bem que o bom senso estará provavelmente no meio destas posições extremadas. Sabemos também que os erros nas políticas são transversais a PSD e a PS. Mas uma coisa é certa. A política de reversões encet…