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Mensagens

A mostrar mensagens de Fevereiro, 2015

V. De Varoufakis.

Quando vi, pensei: «os alemães não têm jeitinho nenhum para o humor». Mas depois, até que nem lhes saiu mal a sátira. O comediante alemão Jan Böhmermann soube o que fez, tratando o ministro sensação do momento como «Exterminador». A «dívida andante» que os germânicos temem é que não é bem assim. Vale pelo momento.

Santana Lopes no seu melhor.

Cumprir horários? É tempo. E tempo tem de ser dinheiro.

Hoje vou abordar uma questão que, à primeira vista, parece banal, mas reflectindo nela com algum cuidado, percebe-se, de imediato, que é mais do que um mero problema secundário. Falo do eterno dilema português em cumprir horários. Em Portugal, por mais crises que haja, por mais dificuldades que se instalem, há coisas que realmente nunca mudam. E receio mesmo que nunca venham a mudar. O chegar a horas aos compromissos é uma delas. Por que raio neste país os atrasos são cultos instituídos? De onde veio, afinal, o ritual dos atrasos que se verificam de forma transversal e em todos os sectores de actividade? Seja no emprego ou na vida pessoal é um clássico neste país chegar atrasado. Uma reunião está marcada para as nove da manhã e nunca estão todos os convocados à hora estipulada. Um almoço está agendado para as 13 horas e há sempre um ou outro que se atrasa. Marca-se um evento para as quatro da tarde e só começa meia hora depois porque pessoa X ou Y teve um imprevisto. Na verdade, os at…

Não vamos à Expo 2015. E depois?

«Tem Portugal uma política externa própria? (…) Não vamos à Expo'2015 (em Milão) por oito milhões de euros. É a imagem da nossa miséria». A frase é de Fernando Sobral, no Negócios. Há coisas que não entendo. Se gastamos rios de dinheiro em acção A ou B somos ricos, se não vamos porque é caro e o país não pode (ainda que sacrificando a promoção externa) somos pobres e miseráveis. Quando não há dinheiro não há vícios e temos de continuar o nosso trabalho mediante o que é possível. Não é assim nas empresas? Não é assim nas nossas casas? Não entendo, admito. Mas se calhar sou só eu que penso à pobretana.

Seremos sempre Zeca!

Zeca Afonso deixou-nos há 28 anos. Será sempre um símbolo e um exemplo para muitas gerações antes e depois dele. Porque hoje e sempre, somos Zeca.

A noite é deles e, como sempre, é longa.

Seguidismo penoso.

«O programa da troika é incompetente (...) e foi feito à bruta, ignorando a realidade portuguesa como a procura interna, o endividamento das famílias e das empresa». A frase é de Silva Peneda, presidente do CES, em entrevista concedida este domingo ao JN. É pena que os seguidistas desta política não o tenham dito há três anos... É também penoso a linguagem política cada vez mais na berra. «À bruta»? Não há mesmo comentários dignos a fazer...

Fisco. O «bicho papão» de que muitos ainda têm medo.

Todos os anos quando chega o momento de entregar o IRS são dores e dores de cabeça por aqui. Por aqui, e calculo que por milhares de lares, onde não há contabilidade organizada. Desde que me lembro de ser gente, sempre chamei a mim a responsabilidade de fazer o meu IRS. Dá trabalho? Dá. E muito. Entre conferir declarações de rendimentos com recibos mensais, facturas e mais facturas, nos últimos anos e desde que começou a revolução informática do Fisco, que o cenário melhora. Os contribuintes ainda continuam a ter, na sua maioria, um sentimento de distância em relação às Finanças. Compreende-se, já que durante décadas a imagem que tínhamos dele era a de um «bicho papão». Sê-lo-á sempre se a nossa atitude, enquanto contribuinte, for passiva. Sempre perguntei, sempre fui para as filas, demore isso o tempo que for, para me informar, para me explicarem o que eu não entendo. E não saio de lá sem o que quero. Serve este post para dizer que cada vez mais a máquina oleada do Fisco serve para n…

Há imaginação para tudo.

Legislativas 2015. Haja paciência, que escolha não falta!

Nas legislativas deste ano vão-se somando as forças políticas que vão a jogo.  Num momento em que cada vez é maior o fosso entre eleitos e eleitores, e em que as democracias europeias vivem há muito crises de valores, ideológicas e políticas, há 26 partidos a concorrer às eleições legislativas de 2015 em Portugal.  Haja paciência porque escolha aos eleitores há de sobra.

Presidenciais agitam-se. Largo do Rato sob pressão.

«António Guterres não é obrigado a ser candidato (a Belém) mas tem obrigações perante o PS, a democracia e o país». A frase sai assim, seca e directa, da boca de Manuel Alegre, neste fim-de-semana ao Expresso. O antigo deputado-poeta e ex-candidato a Presidente da República aumenta, assim, a pressão sobre o PS, António Costa e o próprio Guterres. As presidenciais agitam-se. Cedo demais, dizemos nós. Enquanto isso ninguém quer saber das legislativas, que ocorrem antes.

'O Bom Aluno nunca Desilude o Mestre'.

Frases que podiam integrar a categoria ‘O Bom Aluno nunca Desilude o Mestre’:
«Pecámos contra a dignidade dos cidadãos na Grécia, Portugal e muitas vezes na Irlanda também».Jean-Claude Juncker.

«Portugal é a melhor prova»,Wolfgang Schäuble sobre os efeitos positivos dos programas de ajustamento.

Chegou o COM.Escolha. Um portal que ajuda a evitar abusos.

Tem sido para muitos uma dor de cabeça. Mas os abusos, denúncias e lamentos dos consumidores sobre os vários pacotes de tarifários integrados têm sido mais que muitos. Por essa razão, a Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM) introduziu novas funcionalidades no comparador de tarifários ‘COM.Escolha’, de modo a ajudar os consumidores a fazer uma análise mais completa dos vários tarifários de Internet, telemóvel, telefone fixo e televisão. Conheço vários casos de cidadãos que viram as suas vidas a entrar no Inferno quando tentam mudar de operadora e de repente tropeçam em burocracias, custos e barreiras. Muitas vezes por falta de informação. O caso mais comum prende-se com as quebras de contrato quando este ainda vigora no período de fidelização. Eu própria há meio ano mudei de operadora passando a ter tudo integrado num pacote único. Garanto que não é fácil, com contratos e cláusulas dúbias. Mas tudo depende de se ler tudo, até ao fim. Sim, mesmo aquelas folhas A4 a letra 5 e inco…

Sacos de plásticos. A mudança cultural ou a demagogia do Estado falido.

Scorpions. 50 anos históricos.

É um momento histórico, como foram um pouco todos aqueles que com eles vivi (e continuo a viver). Cinquenta anos de carreira. Um álbum novo [Return to Forever] e um filme quase como se fosse de vida [Forever and a Day, coproduzido pela DW]. 2015 já é um ano bom com eles...Scorpions!

A amnésia germânica.

«Sinto muito pelos gregos. Elegeram um governo que de momento se comporta de maneira bastante irresponsável». A frase é Wolfgang Schauble, ministro das Finanças da Alemanha, e revela, em toda a sua essência, o que pensa o motor da Europa, que muitos temem, e poucos afrontam. Sobre a forma como o ministro de Merkel o disse não há comentários possíveis a fazer, mas lamenta-se que a Europa «germanizada» se esqueça dos valores que sustentam a Europa, da história das democracias europeias e do passado alemão que tanto mal provocou ao Velho Continente. Mas quem se julga a potência do eixo para se colocar, de forma tão assumida, numa posição ditatorial? É pena que algum Sul continue cego, sem querer negociar, aceitando todas as ordens e puxões de orelhas. Um dia o povo acordará... Resta saber se não será tarde.

Um Clássico é sempre um Clássico.

Frase do fim-de-semana carnavalesco na categoria 'um clássico é sempre um clássico': «se o Governo da Madeira se 'agachar a Lisboa' je suis un Cyriza'. Alberto João Jardim.

«Os especialistas da treta».

«Não há nada mais irritante do que o advento nos noticiários do especialista da treta. O especialita da treta é um tipo ou uma senhora que se especializou numa coisa em que bastariam umas ideias gerais de não especialistas com os neurónios a funcionar e um complementozinho cultural do género meia dúzia de livros lidos, meia dúzia de filmes vistos, uma televisão decente, banda larga, dicionários (...)». Clara Ferreira Alves, «Pluma Caprichosa», Revista, Expresso de 14 de Fevereiro.

«Quando os factos mudam, eu mudo de opinião».

Henrique Monteiro disserta na sua coluna de opinião habitual no Expresso deste fim-de-semana sobre algo que há muito devia ser regra para muitos comentadores que por aí andam. E passamos a citar: «não foi o meu camarada (assim se chamavam os jornalistas) Nicolau Santos que me convenceu. Foi Vítor Gaspar, num texto que escreveu, a lembrar-me que também tenho algo de keynesiano. O texto cita uma frase do economista referida por Samuelson e por Huntington, que diz mais ou menos isto: "quando os factos mudam, eu mudo a minha opinião. E o senhor, o que faz?". (...) era este keynesianismo de espírito livre e aberto e não o dogmático (o mesmo digo para Hayek, Schumpeter ou quem for) que gostaria de ver nos debates. Problemas novos não requerem soluções antigas. Soluções novas é o que não temos. E é aí que Keynes faz falta. Este Keynes que não é o Marx do século XX». Inteligência não é defender até à morte uma opinião quando ela deixa de fazer sentido. Mudar de opinião é, pelo contr…

O general que o medo nunca venceu.

Faz esta sexta-feira 50 anos que Humberto Delgado foi assassinado por uma brigada da PIDE em Olivença, perto de Badajoz. Nunca o país poderá esquecer o «general sem medo», candidato à Presidência da República em 1958 e que mobilizou Portugal contra o antigo regime.

A homenagem ao «General Sem Medo».

A Câmara de Lisboa decidiu hoje, por unanimidade, propor ao Governo a atribuição da designação de Aeroporto Humberto Delgado ao Aeroporto da Portela. Nas vésperas do 50.º aniversário do seu assassinato é uma notícia que vem carregada de justiça, porque Humberto Delgado representa a esperança de um povo que lutou por um país mais livre. Que venha a mudança de nome, que é bem merecida.

A coragem chega do Sul e não, não vem de Portugal.

Depois de uma semana em ronda europeia, o novo Governo da Grécia começa a perceber que renegociar a dívida não é assim tão simples. O facto não terá sido surpresa para o primeiro-ministro e ministro das Finanças gregos, já que as negociações como os parceiros europeus, nomeadamente com a Alemanha, anteviam-se duras. Uma coisa já sabíamos antes de este teste grego começar: o executivo grego não vai poder cumprir todas as promessas no primeiro ano de governação. Por isso mesmo Tsipras pediu tempo, tempo para que obter um compromisso com Bruxelas, na reunião extraordinária do Eurogrupo marcada para esta semana. O programa de ajuda externa à Grécia termina no final do mês e, até lá, tem de ser encontrada uma solução para que o país não entre em falência. O Syriza apresentou-se a eleições com a promessa de reduzir a dívida grega e acabar com a austeridade imposta pela 'troika'. Uma estratégia que pode ter um fim mais infeliz que esperançoso. Primeiro porque, tal como em Portugal, a…

A «obrigação moral» grega para com a História.

«A Grécia tem a obrigação moral para com o seu povo, para com a sua História e para com todos os povos europeus que lutaram e deram o seu sangue contra o nazismo», afirmou Tsipras na apresentação do programa de governo no Parlamento. O primeiro-ministro helénico recordava, assim, os 162 mil milhões de euros referentes a indemnizações da Segunda Guerra Mundial.

«Ó António, diga qualquer coisa, porra!».

«Ó António, diga qualquer coisa, porra!». Título do artigo de opinião de Miguel Sousa Tavares no Expresso deste fim-de-semana, referindo-se a António Costa e sobre tanto tema importante (desde a dívida pública, ao papel titubeante que manifesta, ora enquanto autarca, ora enquanto líder do PS, na opinião de Miguel nunca na de líder da oposição). Costa anda demasiado tremido em muitas matérias e o tempo esgota-se, para já não falar das presidenciais, que prometem ser mais uma dor de cabeça, caso se confirme a manchete do Expresso sobre Guterres, que garante o semanário, já deu nega ao PS.

Soares e o ultrapassar de todos os limites da decência democrata.

Numa semana onde a Grécia dominou as atenções políticas e mediáticas, cá dentro, dominou o caso Sócrates, que começa a ser um modelo de estudo judiciário. Além da entrevista por escrito que concedeu à SIC teve do seu lado (mais uma vez) o tubarão Soares. Pelas piores razões. Nenhum democrata e ex-presidente da República no seu perfeito juízo pode proferir declarações como as que Soares colocou cá fora: «o juiz Carlos Alexandre que se cuide». Inadmissível e uma ponta que nos leva a perceber em como a Justiça sempre andou, mais coisa, menos coisa, manietada pelo poder político e ao sabor dos seus ventos e marés.

«Não quero morrer»!

«Não quero morrer». A frase, proferida por um doente com hepatite C, hoje, cara a cara com o ministro da Saúde, no Parlamento, é um murro no estômago. O homem, de 50 anos, espera pelo medicamento desde 2013. Entretanto guerras entre Estado e farmacêuticas são colocadas em plano superior. O valor da vida parece não existir para quem tem na mão a capacidade de fazer a diferença. Há cinco dias, uma doente, nas mesmas circunstâncias, morreu no hospital de Santa Maria, em Lisboa. Aguardava igualmente o medicamento que lhe permitia manter-se viva. Em Portugal há 13 mil doentes. O medicamento custa entre 24 e 48 mil euros. O ponto a que chegamos neste país devia envergonhar todos aqueles que deviam proteger ao máximo os portugueses. Mas os que recorrem ao Serviço Nacional de Saúde, aqueles cuja vida depende de um simples fármaco que dita a luta entre a vida e a morte, esses agarram-se ao impossível, numa batalha sem fim e que corrói tremendamente.

O segredo. Sempre o segredo.

A entrevista de José Sócrates, concedida, por escrito, e emitida ontem à noite na SIC, foi, para muitos, mais uma redundância da defesa do ex-primeiro-ministro. Tirando o facto inédito de uma conversa, por escrito, em televisão (Anselmo Crespo e Luís Garriapa conseguiram tratá-la da única forma possível), na verdade José Sócrates lançou poucas novidades ao que já sabemos e vamos lendo, aqui e ali, nos extensos trabalhos jornalísticos que vão sendo divulgados a conta gotas. A questão do segredo de Justiça, em que Sócrates insiste, nomeadamente as suas constantes violações é, para mim, o lado mais importante deste caso. Em matéria de Justiça e cidadania. Porque uma lei que persiste e é permanentemente violada continua sem ser revista é a prova de que muita coisa vai mal neste país de justicialismos bacocos. Isto vale para o mediático caso socrático como para qualquer cidadão, que se vê a braços com a Justiça, sem mecanismos de defesa e violações constantes do Direito. Ficamos à espera, …

«De certo modo, nenhum de nós sobreviveu a Auschwitz».

Clara Ferreira Alves, uma jornalista e mulher brilhantes, que admiro e leio há anos, escreveu um texto esta semana que nos coloca num patamar de dor, sofrimento e reflexão a um nível que, no dia-a-dia não estamos habituados. Daquela maneira simples, bela e tão sincera, a Clara desnuda-se, partilhando com o leitor as suas emoções sobre os campos, o Holocausto, os frios caminhos do fim de tantos milhões. Cada palavra da Pluma Caprichosa do passado fim-de-semana, no Expresso, é uma espada. E é impossível alguém ler este texto, intitulado ‘Nos Campos’, e ficar indiferente. Já o li cinco vezes. E continuarei a lê-lo quantas vezes forem necessárias para ter a certeza do que sinto quando confrontada com testemunhos assim. Deixo algumas passagens.
«Em Auschwitz não sabemos quem somos, nem de onde vimos, nem para onde vamos, sobrepõe-se a esta solidão, inevitavelmente, uma ausência de sentido que só pode ser preenchida pelo desgosto»
«Pensamos que estamos preparados para aquele momento, para a r…

Com amor, dedicado a Pedro (Passos Coelho).

Hoje quero falar, nesta crónica, de uma questão meramente social. Digo logo ao que venho porque deixarei de fora todos os índices económicos e financeiros. Em primeiro lugar, porque vou falar de pessoas. E em segundo porque o assunto diz respeito a todos nós, directa ou indirectamente. Portugal voltou aos níveis de pobreza e exclusão social de há dez anos. O país tem hoje dois milhões de pessoas com o triste estatuto de pobre, sendo que um em cada cinco portugueses é pobre. Os dados foram divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e percorrem os anos de 2013 e 2014. Uma das grandes desigualdades revela-se ao nível da distribuição de rendimentos. Este é um cenário dramático. Parece não o ser para o primeiro-ministro, que diz que estamos melhores que há três anos. Resta-me dizer que certamente, a privação e as dificuldades, não lhe bateram à porta. Sim, há dois milhões de pessoas que vivem mal, passam dificuldades e até fome. Para um país que se diz, em tantas situações, do…

Seca. O alerta que vem do Brasil.