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Mensagens

A mostrar mensagens de Janeiro, 2015

Portugal 2015. Dois milhões de pobres.

Portugal voltou aos níveis de pobreza e exclusão social de há dez anos. O país tem hoje dois milhões de pessoas com o triste estatuto de pobre, sendo que um em cada cinco portugueses é pobre. Os dados foram divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e percorrem os anos de 2013 e 2014. Uma das grandes desigualdades revela-se ao nível da distribuição de rendimentos. Este é um cenário dramático e para quem, como o primeiro-ministro, diz que estamos melhores que há três anos, certamente que a privação e as dificuldades não lhe devem bater à porta.

Poiares Maduro. Um «erro de casting».

«Poiares Maduro é um erro de casting neste Governo». Alberto da Ponte. Expresso.

Estamos entregues aos bichos.

Educação. Avaliação viciada.

A guerra instalada entre Ministério da Educação e sindicatos repete-se em cada Governo, em cada ministro e em cada ano que passa. Nos últimos dias, a indignação dos professores tem subido de tom, nomeadamente, no que respeita à famigerada prova de avaliação, em que quase 35% dos 2490 docentes inscritos reprovaram. Ontem ouvia o ministro Nuno Crato dizer que «não faz sentido que um professor dê 20 erros ortográficos numa frase». Não sei se o ministro dava um exemplo de uma prova concreta. Seja como for, é inadmissível que profissionais com a responsabilidade que têm os professores no futuro de um país, não reúnam critérios mínimos de qualidade. Não espero que um professor de Português saiba cálculo matemático ou se lembre de Trigonometria (coisa chata, aliás, e que me traz más memórias). Mas espera-se que qualquer professor, que leccione que disciplina for, saiba escrever, não dê erros ortográficos e tenha um nível de cultura geral acima da média. Enquanto cidadã é o que eu espero. E a…

Nada acontece por acaso. Muito menos as legislativas.

Chama-se Plano Estratégico para as Migrações. A iniciativa, colocada ontem em consulta pública, tem o carimbo do Governo de Pedro Passos Coelho, e tem como objectivo incentivar o regresso de emigrantes e lusodescentes a Portugal. A ideia, vinca o documento, visa reverter o défice demográfico num dos pontos mais urgentes que o Executivo considera de «emergência social e económica». A memória não pode ser curta sobretudo vinda de um elenco ministerial que provocou a emigração que todos conhecemos nos últimos três anos. Nada acontece por acaso, as eleições legislativas também não.

Holocausto. O dia da libertação.

A 27 de Janeiro de 1945 o Exército Vermelho dava por terminado o cerco a Leninegrado, pelas forças alemãs e ocupava o campo de Auschwitz, na Polónia, começando o tratamento e libertação dos sobreviventes do extermínio nazi.

Estado Bom e Estado Mau. Uma questão de escolha.

Esta podia ser uma crónica intitulada Estado Bom e Estado Mau, numa espécie de analogia com o caso BES e o Banco Bom e o Banco Mau. E as semelhanças podem até ser assustadoras. Na verdade, o Estado, na forma prática e efectiva como o conhecemos, revela-se na maioria das vezes Mau. Todos nos queixamos, regularmente do mau funcionamento das instituições, da lentidão dos serviços, da forma como somos atendidos e dos longos anos em que correm no sistema os nossos problemas. Da Justiça à Saúde, das Finanças à Segurança Social, são infindáveis os exemplos, não só os que conhecemos, os nossos próprios casos, como aqueles que vamos sabendo através da comunicação social. Pois bem, não há só um Estado Mau. Há o outro lado da moeda, a face do Estado Bom, que, quando funciona, nos deixa a todos maravilhados. E porquê maravilhados? Porque, verdade seja dita, não estamos habituados a tamanha eficácia quando o assunto se chama serviços públicos. Recentemente tive três casos com o Estado português em…

Lisboa, a menina e moça de sempre.

Cai a tarde ao seu colo. Os braços estendidos correm de colina em colina. E não, já não há pregões em cada esquina, como tanto queria Ary, Pessoa e o Tordo. Neste fim de tarde, és cidade a ponto luz. Enquanto escrevo, desfaço o novelo, sorrindo, ao mesmo tempo que a noite cai, devagarinho, como se quer. Hás-de ser sempre a (minha) menina e moça, descansando na almofada do Tejo, e celebrando a voz que te canta soberbamente como nenhum outro. *ac.rodopiando.com.as.colinas@lisboa*

Grécia. Um ar (novo) que lhe deu.

A Grécia pode bem ter ontem mudado o rumo da Europa em matéria de política económica e financeira onde o velhinho eixo franco-alemão continua a ser parceiro. Syriza representa, bem o sabemos, os extremos que sempre foram colocados à margem dos tradicionais sistemas. Podemos todos olhar para França, Espanha e até mesmo Portugal? Podemos e devemos. Não acredito no mimetismo em política mas uma coisa é certa: os europeus estão cansados desta Europa. E o futuro será, está à vista, dos eleitores.

«Sou do Benfica, heterossexual e de esquerda».

«Sou do Benfica, heterossexual e de esquerda». Pedro Proença, ao Expresso.

Ricardo Salgado e o que fica Depois Disto Tudo.

É notável o trabalho da Revista do Expresso deste fim-de-semana dedicado a Ricardo Salgado e à sua vida depois da derrocada do império BES. Pedro Santos Guerreiro mostra-nos, com mestria, o passado, o presente e o eventual futuro do antigo Dono Disto Tudo.

De Miranda (do Douro) para o Mundo. Com muito Humor!

E já que hoje estamos numa de Feiras e afins, de Miranda do Douro chega uma notícia que, no mínimo, vem carregada de humor e sátira social. É uma forma muito peculiar de promover um festival dedicado aos sabores mirandeses, que decorre em meados de Fevereiro. As imagens de promoção do evento, intitulado 'Todo o Mundo a Miranda', falam por si, e como é sexta-feira, esperamos que se animem.

Feiras de Portugal. Um santuário para políticos.

É um clássico, daqueles que fazem com que a expressão «política à moda antiga» continue a fazer sentido. Falo das feiras que povoam este País, de norte a sul. Somos, provavelmente, um dos melhores países na organização/promoção de eventos locais e regionais, e nos últimos anos, apurámos o dom. E, quando chegam as eleições, estes certames tornam-se numa animação maior, com as visitas de políticos que lá fazem o sacrifício de distribuir beijos, sorrisos e abraços ao tal «Povo» que eles próprios classificam como tal. À semelhança de tantos outros eventos e governantes, hoje lá vai Pedro Passos Coelho, pavonear-se na tradicional Feira do Fumeiro e Presunto de Barroso, em Montalegre. O espectáculo está garantido, agradando a gregos e troianos. Também Assunção Esteves, presidente da Assembleia da República e o secretário-geral do PS, António Costa, são promessas do cartaz do evento. As televisões agradecem. Os próprios também, porque saem de lá convictos de que chegaram a mais potencial ele…

Os pequenos nadas de ALA.

A minha expectativa em relação à entrevista de António Lobo Antunes, ontem, à RTP, era alta. Alta, com muitas reticências. Primeiro, pela dificuldade que é conversar com o António na condição de repórter. Em segundo lugar, porque em televisão, o cenário só piora. Quem conhece Lobo Antunes sabe que é um escritor peculiar, pautado por registos orais e um modo de estar que dificulta o tratamento jornalístico. Não é culpa dele, como é óbvio (nem da jornalista), porque aquela imagem é ele próprio. Simplesmente é um trabalho duro de roer, como costumo dizer. Mas a entrevista de Fátima Campos Ferreira matou, em parte, a tal expectativa, que se cria junto do espectador. Além de nitidamente «cortada» (talvez por essa dificuldade de entrevistar o escritor em televisão), padeceu de uma pobreza terrível. Nem uma única pergunta sobre o seu último livro, ‘Caminho como uma Casa em Chamas’. Nem uma questão sobre o próximo (se é que há nova prosa). Da conversa, que será transmitida na íntegra, na próx…

TAP. O tiro no pé de Pires de Lima.

A privatização da TAP tem sido motivo de discórdia desde que o actual Governo encetou caminho rumo à venda da companhia aérea nacional. Nos últimos anos, a guerra entre sindicatos e tutela, tem sido um verdadeiro Inferno, onde as chamas têm chamuscado os dois lados da barricada. Na última semana, o dossier TAP colocou a nu as fragilidades do ministro que abraçou a causa como se de um filho se tratasse. Falo, obviamente, de António Pires de Lima, o gestor imaculado para a comunicação social, um dos homens de confiança de Paulo Portas e um homem que vende a imagem do empreendedor de sucesso. Pois bem, tudo isto, caiu por terra na última semana. Na passada quinta-feira foi aprovado em Conselho de Ministros o caderno de encargos da anunciada privatização. Crescimento e desenvolvimento foram as duas palavras mais usadas por Pires de Lima nas várias entrevistas que foi dando ao longo dos últimos dias para justificar a privatização. Em todas as declarações à imprensa, o ministro da Economia …

A história de Pedro e Inês contada em painéis.

Rui Rasquilho, estudante de Belas-Artes, vai contar em painéis (com ilustrações e pequenos textos), a história trágica de amor de D. Pedro e Inês de Castro. Uma ideia, supervisonada por Miguel Amaral, antigo director do Mosteiro de Alcobaça, e que surgiu a pedido da União das Juntas de Freguesia de Alcobaça e Vestiaria. Uma ideia original que merece aplauso tendo em conta que esta história é um marco da cronologia da monarquia portuguesa. O projecto poderá ser contemplado ainda este ano pelas ruas de Alcobaça. 

Um país cada vez mais sufocante.

Este país começa a ser sufocante. A psicologia social deverá explicar o fenómeno de capas como esta. Mas esta gente é toda louca? Ou será apenas uma consequência da tal ribalta que tantos e tantos anseiam? Daqui ao Inferno é uma viagem imensamente curta.

A novela presidencial segue, capítulo a capítulo.

Apesar de António Vitorino ter dito este fim-de-semana que «ainda muita água vai correr debaixo da ponte» em matéria de presidenciais, a verdade é que os putativos candidatos que se perfilam ao escrutínio de Belém em 2016 andam numa campanha de «apalpar terreno». As contas fogem a todos. Desde Marcelo, a Santana, ao outsider Sampaio da Nóvoa, passando pelo cada vez mais distante Guterres e acabando em Rui Rio. E foi precisamente Rio que também neste fim-de-semana repleto discussões presidenciais que veio lançar mais um dado para a mesa do jogo do gato e do rato partidário. Diz o antigo edil portuense que, afinal, admite avançar com uma candidatura à Presidência da República. E, à medida do animal feroz do Norte, as regras são muito claras: só avança se tiver o apoio inequívoco do PSD e a garantia de que não terá adversários de peso à direita. A guerra está instalada. Santana haverá de responder e o «professor-comentador-especialista-em-tudo-e-nada» haverá de responder hoje no seu domi…

Hoje (e sempre) somos todos Torga.

Passam hoje, 17 de Janeiro, 20 anos sobre a morte de um dos nossos maiores escritores. Pelo menos para mim. Miguel Torga morreu a 17 de Janeiro de 1995 em Coimbra. Este incansável pensador do seu tempo, conhecia o país como pouco mas também o mundo e tendo deixado no papel o que pensava sobre ele. Sabia como, poucos, a arte de fazer perguntas e, acima de tudo, nunca cedeu a pressões nem a veias políticas nem politizantes. Talvez por isso seja tão consensual no mundo literário e até mesmo na sociedade civil. Hoje e sempre, seremos todos Torga.

Churchill. «Humor, falhanços, conquistas e liberdade».

«Humor, falhanços, conquistas e liberdade». Assim titula o Expresso a nova iniciativa do semanário que a partir deste sábado tem muito Churchill para dar. Para mim uma das figuras mais marcantes da política europeia e diplomacia mundial do século XX. Com todos os seus defeitos e virtudes. Com toda a sua loucura e visão. Depois das Grandes Entrevistas da História, o Expresso contempla os seus leitores com mais uma grande e importante compilação. Compreender o percurso político do antigo primeiro-ministro britânico é essencial para compreender o nosso mundo e aquilo que também foi e é a Europa.

A entrevista de Ronaldo repleta de esperança.

Vi a entrevista de Ronaldo a Marcelo Rebelo de Sousa. Porque me interessava, enquanto jornalista, mas acima de tudo, enquanto cidadão, portuguesa e fã de Cristiano. Até meio da conversa achei que era apenas mais um momento de glória para a TVI, que tinha enviado o professor da estação a Madrid para tagarelar com o Melhor do Mundo. Porém, há algo na entrevista que me chamou a atenção permanentemente e me prendeu até ao fim. A mensagem insistente de Ronaldo para os portugueses. «Trabalhem, lutem, não desistam e acreditem em vocês. E, depois, claro, um bocadinho de sorte». Acho que o nosso craque disse tudo, numa mensagem de início de ano novo, e a que todos devíamos voltar sempre que estivermos em fases menos boas.

Parque Escolar. Uma herança demasiado pesada.

Quando se olha para os números hoje publicados pelo Correio da Manhã sobre o Parque Escolar, é demasiado cruel para quem, como nós, cidadãos que carregamos uma pesada carga fiscal todos os meses. De acordo com o diário, a dívida do projecto de requalificação de mais de 300 escolas em Portugal (criada nos governos de José Sócrates) ascende a 1,14 mil milhões de euros [dados da auditoria do Tribunal de Contas em Dezembro de 2014]. É só um exemplo de como era óbvio que «o brutal aumento de impostos» ia ter destino certo. Os restantes exemplos chegam todos os dias em cada noticiário e jornal.

Revisão de Schengen. Controlo deve ser efectivamente partilhado.

A presidência letã da União Europeia vai convocar de emergência um Conselho de Ministros da Justiça e do Interior, no qual o Tratado de Schengen será revisto, no seguimento dos atentados em França. Neste momento, e à luz daquilo que tem sido o comportamento e passividade europeias, ante a ameaça global do terrorismo e livre circulação de pessoas no Espaço Schengen é preciso cuidado com alterações bruscas. Bem sabemos que estamos perante uma ameaça à segurança europeia e que esta é uma excepção no Tratado que abre portas a modificações. O controlo de fronteiras tem de ser partilhado por todos no terreno e não apenas no papel, como tem sido prática há muito tempo. Resta-nos esperar para ver o que acontecerá.

O ataque ao coração dos homens e das mulheres livres.

Na semana passada o coração da Europa foi atingido. Atingido da forma mais vil e intolerante que podíamos imaginar. Em nome de um Deus, em nome de motivações incompreensíveis, de causas absurdas, matou-se a sangue frio, de forma calculista e inqualificável. Os factos já todos os conhecemos. Quero por isso falar daquilo que me assola a alma, motivado pela revolta. A vida humana é o bem maior de que dispomos. Que tem e deve ser preservado a todo o custo e acima de todas as causas. O terrorismo, nas suas mais variadas formas, seja de Estado, religioso ou baseado noutras convicções, tem alastrado por todo o Mundo, com intensidade depois dos ataques do 11 de Setembro nos Estados Unidos. Nos últimos anos temos vivido permanentemente com a ameaça por parte do chamado Estado Islâmico, que tenta abanar as democracias, as liberdades e a fraternidade entre povos. Os discursos falam em combate a este terror sem tréguas, e, a verdade, é que o Ocidente tem estado adormecido quanto às reais ameaças …

Vítor Bento. O menino do Presidente.

Depois da passagem meteórica (e até ridícula) de Vítor Bento pelo Novo Banco, Cavaco decide chamar de novo Vítor Bento para o Conselho de Estado, seis meses depois do antigo conselheiro ter renunciado ao cargo. Não era preciso sr. Presidente. O facto de não ter substituído o antigo presidente executivo do Novo Banco indicava já que o lugar estaria à espera dele. Nem que fosse por um dia.

Uma entrevista sem medo.

«A queda do Grupo Espírito Santo é mais importante do que reformas da Troika». A frase é de José Ferreira Machado, director da escola de negócios da Universidade Nova. Uma entrevista à Renascença que coloca a nu muitas das debilidades da democracia portuguesa. Ferreira Machado diz ainda que o Estado está a ser decapitado. Entre muitas verdades há uma que vai direitinha ao coração das boas práticas de um Estado de Direito: «ter de haver 'outsourcing' de produção de legislação para escritórios de advogados é o grau zero do estado de Direito».

Paris: a capital do Mundo em nome do Terrorismo.

Paris é hoje a capital do Mundo contra o terrorismo, contra a barbárie que domina os extremismos. Que este Domingo seja grande de esperança para enfrentar uma ameaça que não pode vencer sobre valores que todos nós partilhamos.

Grande Capa.

A Lisboa de Janeiro.

O frio de Janeiro faz de Lisboa uma cidade-menina e serena. Como os cheiros de Junho, os aromas de Maio, o calor de Agosto ou os postais de Outubro. Subi ao castelo a meio da tarde. Na mão levava uma caneta, um bloco de notas e a máquina fotográfica ao peito. Das portas do Sol avistei o Tejo, calmo, sereno e pintado pela luz de um sol que abandonava a cidade à medida que o final do dia se impunha. As temperaturas deixavam os corpos e os cérebros incapazes de reagir. Apenas a alma fervilhava e os olhos brilhavam. Cá em baixo, da Praça da Figueira, ainda as cores guerreavam. Minutos depois, chorava-se nos Restauradores. E aos pés da Liberdade a despedida sentida, entre o bulício da noite já instaurada e os cheiros e ruídos que chegam pela calada.

A loucura interminável de Jardim.

Gritos de revolta nas bancas portuguesas da Liberdade.

Tal como em todo o Mundo, em Portugal, a imprensa também gritou esta manhã em todas as bancas de Liberdade.