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Mensagens

A mostrar mensagens de Janeiro, 2014

Órfãos às mãos de medíocres. Levo-os a todos no coração.

Marcelo e a novela presidencial [alimentada pelos media].

Pronto, com esta sondagem, hoje publicada no i, o professor já deve estar mais contente. É preciso uma paciência para as não-notícias, os não-acontecimentos, os não-factos...

Momento «Em nome de ti, ALA», dia 31.

Momento «Em nome de ti, ALA», dia 31:«A bengala enorme, a caixa de esmolas com um cadeado. O acordeão que se trazia às costas, puxado para o peito. Os dedos a experimentarem as teclas, de leve, procurando o tom. O nariz atirado para o alto. Mais teclas. O dono do ceguinho a impacientar-se - Então?».

Momento «Em nome de ti, ALA», dia 30.

Momento «Em nome de ti, ALA», dia 30:«Não é injusto que eu tenha sessenta anos, é simplesmente mentira: tenho todas as minhas idades ao mesmo tempo mais um pião na algibeira e dois cigarros que roubei à minha mãe».

Justiça a navegar.

Segundo o Sol, o decreto-lei que regulamenta a nova organização dos tribunais judiciais – o chamado mapa judiciário – «está pronto e aguarda agendamento para Conselho de Ministros» nas próximas semanas. No dia em que decorre a abertura do ano judicial, com todos os recados e afins, é um bom momento para anunciar a boa nova. Resta saber qual será.

Momento «Em nome de ti, ALA», dia 29.

Momento «Em nome de ti, ALA», dia 29:«Pode ser que o meu corpo haja durado sessenta anos: eu tenho dezoito ou menos, e em muitas regiões da minha vida permaneço um menino».

Soares Carneiro. Morreu o candidato presidencial de Sá Carneiro.

Ficará para sempre na História como o candidato presidencial «de luto», já que a três dias de perder as presidenciais de 1980 para Eanes morria Sá Carneiro, que o tivera escolhido para enfrentar, pela AD, aquele acto eleitoral. O antigo chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas de Cavaco nunca teve grande «jeito» para a política e sabia que era apenas um meio para atingir um fim (impossível) de Sá Carneiro naquelas presidenciais. O destino traiu ambos. A esmagadora maioria dos portugueses desconhece o seu percurso mas o conservador que um dia aceitou dar o corpo às balas pelo antigo Primeiro-Ministro (que tinha o sonho de «um Governo, uma maioria, um Presidente»), era governador geral de Angola quando se dá o 25 de Abril em Portugal. Depois da morte de Sá Carneiro, manteve-se discreto, nas funções militares e na opinião pública. Soares Carneiro (1928-2014) morreu hoje aos 86 anos.

Momento «Em nome de ti, ALA», dia 28.

Momento «Em nome de ti, ALA», dia 28:«Cada vez menos os romances que se publicam com o meu nome têm seja o que for de deliberadamente meu. Na minha ideia, e digo-o com convicção absoluta, limito-me a assistir».

Os limites da dignidade.

Um mês depois da tragédia do Meco que vitimou seis jovens universitários da Universidade Lusófona, fico perplexa com o conjunto de notícias que têm sido divulgadas nos últimos dias na comunicação social a propósito das praxes académicas. Não é novidade para ninguém que as tradições académicas nalgumas universidades portuguesas, extravasam o aceitável e moralmente aceite. Também incompreensível para mim são, há muitos anos, os rituais e acções praticadas por estes jovens que recebem futuros colegas no palco do saber. Falo com conhecimento de causa. Também eu já fui aluna universitária. Mas, ao contrário de muitos jovens, sempre recusei submeter-me a actos desumanos, sempre disse ‘não’ a desrespeito verbal e físico, e, talvez por isso, não tenha sido praxada, talvez por isso me tenha excluído de todas as acções académicas que violentavam a minha pessoa e a minha dignidade. O caso do Meco veio perturbar ainda mais as consciências porque de facto acabou na tragédia que todos conhecemos. Ai…

Viagem à Nova Iorque dos anos 30. Bora?

Nova Iorque. Período: 1935 a 1938. As imagens estão arquivadas na biblioteca pública de Nova Iorque, e foram recentemente tornadas tornadas públicas mostrando a cidade que «nunca dorme» através do olhar de Berenice Abbot. Algumas podem ser contempladas também no sei livro Changing New York, um retrato dos anos 30 do século XX, moldado pela política de Roosevelt (que governou entre 1933 e 1945), e pelo programa que criou para apoiar os artistas desempregados da época intitulado Federal Art Project. Um projecto que deu em imagens maravilhosas como estas, captadas por milhares de desempregados. Venham daí e maravilhem-se.

Momento «Em nome de ti, ALA», dia 27.

Momento «Em nome de ti, ALA», dia 27:«Com as pessoas o que me parece é que Deus deve gostar imenso dos patetas porque não se cansa de fazê-los».

Momento «Em nome de ti, ALA», dia 26.

Momento «Em nome de ti, ALA», dia 26:«Deixo-vos os meus livros à porta como os leiteiros de eu pequeno as suas garrafas brancas. Estão aí».

O sangue que me corre nas veias.

«A tua maior riqueza é a versatilidade natural», diz-me um amigo de longa data, emigrante português em Madrid, e camarada de outras andanças de escrita passadas. Resposta da AC, sentada no chão, rodeada de centenas de pessoas a atropelarem-se, e a bater texto para enviar para Lisboa: «estás enganado, a minha maior versatilidade é ter no corpo e na alma o jornalismo e não conseguir respirar sem ele». Um abraço de saudades para o El Mundo.  Sejam felizes* *ac@vida*

Momento «Em nome de ti, ALA», dia 25.

Momento «Em nome de ti, ALA», dia 25:«A palavra génio, tão pomposa agora, utilizava-a Stendhal para descrever o modo como certas senhoras subiam para as carruagens».

«A estrada da Revolução» que me atacou o coração.

Chama-se «A estrada da Revolução», já tinha dado origem a livro, mas chega agora em forma de documentário. Qualquer jornalista que ama a profissão olha para este projecto e diz: «Caraças, quem me dera ter sido eu fazê-lo». Os seus autores estão, pois de parabéns, por esta viagem magnífica que nos oferecem ao coração da Primavera Árabe. O documentário tem antestreia nacional marcada para amanhã, no Teatro Municipal de Vila do Conde, e é o culminar de um projecto lançado por três jornalistas portugueses que viajaram pelo Médio Oriente em 2012. Todos freelancer. Depois de uma primeira aventura conjunta dos três amigos, que, em 2010, os levou de jipe à África do Sul a propósito do Campeonato Mundial de Futebol, a incursão pelo Médio Oriente e Norte de África começou a desenhar-se em 2011 perante as manifestações da designada «Primavera Árabe».O jornalista Tiago Carrasco, o fotojornalista João Henriques e o repórter de imagem João Fontes conseguiram obter financiamento prévio por parte do …

Miklos.

25 de Janeiro de 2004. Cumprem-se hoje dez anos da morte de Miklos Fehér, o jogador húngaro do Benfica que foi vítima de uma paragem cardiorrespiratória em Guimarães. Uma das minhas memórias mais vivas porque foi a primeira vez que vi uma morte em directo. Consigo, ainda hoje, dizer onde estava (a ver o jogo), com quem estava e até o que fiz nesse dia. Há memórias difíceis de esquecer, sobretudo pela dureza que deixam em nós.

Feridas de um Bloco cada vez mais fracturado.

«As dificuldades processuais dessa candidatura eram várias, e relevantes. Contudo, um modelo de articulação não chegou sequer a ser equacionado – a direcção política do Bloco de Esquerda não se mostrou disponível para iniciar um debate programático com alguns dos possíveis participantes nessa convergência». A frase é de Ana Drago, à Lusa, e prende-se com a rejeição de a direcção política do BE ter rejeitado um debate com outros movimentos de esquerda, como o recém-criado Manifesto 3D, a Renovação Comunista e o anunciado partido Livre, para participar num processo de convergência que resultasse numa candidatura única às eleições europeias. A consequência foi o pedido de demissão de Ana Drago da Comissão Política do BE. O facto diz muito das cisões que há muito lavram no Bloco, patente nos resultados eleitorais obtidos nas últimas eleições (legislativas e autárquicas). Um pequeno partido, dividido, com bastantes fracturas, encontra-se neste momento «hospitalizado», talvez em estado vege…

Momento «Em nome de ti, ALA», dia 24.

Momento «Em nome de ti, ALA», dia 24:«Sempre me estarreceram as coisas feias e caras, ao passo que as coisas feias e baratas me enternecem».

Dois pedidos de desculpa e um miminho para Itália.

António Lobo Antunes recebe amanhã, em Udine, Itália, o Prémio Nonino Internacional, galardão instituído em 1975 por iniciativa da família Nonino, proprietária de uma antiga e histórica destilaria daquela localidade. Bem o merece e justificamos os desencontros no palco das chegadas e partidas do aeroporto. Ainda assim, e porque dois dias sem o «Em nome de ti», por razões profissionais, ficam agora, em jeito de miminho para amanhã.
Momento «Em nome de ti, ALA», dia 22:«Em matéria de gosto os meus pais, aliás, deixavam imenso a desejar: detestavam quadros com gatinhos a saírem de botas velhas, palhaços de porcelana a chorarem, dálmatas cromados em tamanho natural».
Momento «Em nome de ti, ALA», dia 23: «Escrever não bem romances: visões, morar nelas como num sonho cuja textura é a nossa própria carne, cujos olhos, tal os olhos dos cegos, entendem o movimento, os cheiros, os ruídos, a subterrânea essência do silêncio».

Momento «Em nome de ti, ALA», dia 21.

Momento «Em nome de ti, ALA», dia 21: «Os artistas que me interessam são os que me tornam inteligentes de mim e do mundo, aqueles que como Júlio Verne aconselhava, me declaravam ser necessário tomar lições de abismo. E emprestam asas como outros alugam barcos para passeios no rio».

Parasitas que não merecem os lugares conquistados.

Na semana passada registou-se na Assembleia da República um dos episódios mais lamentáveis de que há registo na casa a que chamam da Democracia. De Democracia nada teve a proposta do PSD que defende um referendo nacional sobre a adopção e coadopção de crianças por casais do mesmo sexo. Todos sabemos que a matéria é sensível, de princípio e também de convicções individuais. É certo que a convocação do referendo terá ainda de passar pela fiscalização preventiva obrigatória do Tribunal Constitucional e, em última instância, dependerá da decisão do Presidente da República. Aconteça o que acontecer, ficou claro o carácter de Pedro Passos Coelho, do presidente da Juventude Social Democrata, Hugo Soares (mentor da iniciativa), bem como dos parlamentares sociais-democratas que votaram a favor da consulta popular. A juntar a esta lamentável cena de terceiro mundo, logo surgiram dos armários a cheirar a mofo os esqueletos radicais que se opõem à adoção e coadopção de crianças por casais do mesm…

«Tudo o que eu tenho trago comigo». Também a ti, mano, te trago sempre comigo.

Política e políticos. Descubra as diferenças entre o Norte e o Sul.

A candidatura de Estocolmo para sediar os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022 caiu por terra. No norte desta Europa em cacos, partidos e políticos têm no sangue uma massa bem diferente dos do Sul. Três argumentos originaram a decisão: para os políticos suecos, a cidade temprioridades mais importantes, a conta dosgastospara realizar o evento na cidade seria alta demais, e um eventualprejuízocom a organização dos Jogos teria que ser coberta com o dinheiro dos contribuintes. «Precisamos darprioridadea outras necessidades, como a construção demais habitaçõesna cidade», disse o presidente da Câmara de Estocolmo,Sten Nordin, citado pelo jornal Dagens Nyheter. É preciso dizer mais alguma coisa?