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Mensagens

A mostrar mensagens de Maio, 2013

«Papoilas saltitantes». Oh, desculpem, caciques saltitantes.

Todos o conhecem, pelo menos, os que como eu acompanham a classe política cá do burgo, e pelas sempre inflamadas intervenções nos conclaves sociais-democratas. Depois de 27 anos à frente da autarquia das Caldas, «Fernando Costa sabe» [pegando no slogan do edil]. E sabe-a toda, porque é agora candidato à Câmara de Loures nas autárquicas deste ano. O mundo dos caciques, a política partidária e o poder que cola, é difícil de expurgar. E este mundo, garanto-o, não há Troika, nem austeridade nem sequer milagres que o alterem. E crescem como cogumelos os candidatos que repetem os pousos e que o legislador teima em não conseguir expurgar através da lei.

Os disparates de um Provedor de [pouca] Justiça.

O Provedor de Justiça, Alfredo José de Sousa, sustentou esta semana numa entrevista à Antena 1 que «um refrescamento na situação política» antes de Junho de 2014 só será possível com a realização de eleições antecipadas no mesmo dia das autárquicas. Além do cargo que ocupa ser demasiado «secundário» [infelizmente] para alguém ligar a este disparate [para já não questionar quantos portugueses sabem quem é e para que serve a função], sugerir eleições antecipadas e ainda por cima para o mesmo dia das autárquicas só pode vir de alguém que desconhece profundamente o sistema político português. Mas isto é só a opinião platónica, de quem observa e não percebe nada do assunto.

«Passos está a fazer dos portugueses ratos de laboratório».

«Passos está a fazer dos portugueses ratos de laboratório».  Pacheco Pereira.

Esquerda[s]. Finalmente juntas.

Vi, ouvi e reflecti atentamente sobre tudo o que se disse na conferência da esquerda intitulada «“Libertar Portugal da Austeridade», que decorreu ontem, na Aula Magna, em Lisboa, e dinamizada entre muitos outros por Vítor Ramalho [soarista indefectível] Mário Soares, que surgiu com uma vitalidade que a mim me deixa particularmente feliz. Considero Soares uma das figuras mais marcantes da segunda metade do século XX português. Um homem a quem o País muito deve, inteligente, um conversador nato, um homem que todos devemos respeitar e ouvir. Sempre assim encarei Mário Soares. E fez bem em tentar unir as esquerdas em Portugal num momento particularmente crítico do país. Muita coisa correu mal à Tróika e aos Governos executantes desta política de austeridade. Contudo, em parte, e seja hoje ou amanhã [futuro] este país necessita sair de muita podridão e despesismo em que entrou. E esta, na minha opinião, é a grande asneira da(s) esquerda(s). Ideologicamente, a esquerda vê apenas a parte soc…

25 anos. 81 mil milhões. Para quê?

Francisco José Viegas. A espinha dorsal que não se tem.

Mia Couto. Prémio Camões 2013.

Duas mil pessoas sem tecto em Lisboa.

«Está a verificar-se um aumento significativo da população sem-abrigo, por razões de desorganização das suas vidas. Não tem só a ver com habitação, mas também por desemprego, problemas familiares, adições, tudo misturado. Cada vez mais, mesmo por penúria económica, incapacidade de pagar, e algumas pessoas fazem parte de uma pobreza envergonhada».  A frase é de Helena Roseta, numa entrevista à Lusa, acrescentando que são já duas mil as pessoas a viverem nas ruas da capital.

Simplesmente, Miguel.

Investimento, para que te quero.

Eduardo Lourenço: 90 anos a partilhar conhecimento com o Mundo.

É um dos nossos. Grande. Génio. E, felizmente, continua entre nós a ensinar-nos e a alertar para os perigos de um mundo em mudança. É, para mim, o ensaísta mais brilhante do meu tempo [penso que posso ousar dizê-lo]. Parabéns, Mestre Eduardo Lourenço. Os 90 anos ficam-lhe tão bem!

Uma capa que diz tudo.

«Álvaro Cunhal: vida, pensamento e luta».

Se ainda não foram, têm oportunidade de o fazer até dia 2 de Junho, na sala do Risco, no Pátio da Galé, em Lisboa. É uma das muitas exposições patentes no país sobre o centenário do nascimento de uma das maiores figuras do século XX português. Intitulada «Álvaro Cunhal: vida, pensamento e luta – exemplo que se projecta na actualidade e no futuro», refresca-nos bem a memória caso ela nos falhe. E se esquecermos o tom inflamado dos textos [que têm de ser lidos à luz da doutrina comunista] está ali uma brilhante mostra de um percurso ímpar de um homem, acima de tudo, de Causas, e que, curiosamente, nasceu no mesmo dia que eu.Obrigada aos colegas que aceitaram o desafio de transformarem uma hora de almoço banal numa partilha de cultura permanente.

Francisco Lucas Pires: um homem de direita com alma de esquerda.

Francisco Lucas Pires é um dos meus políticos de eleição. Nunca o escondi. Partilho da opinião de todos os que já escreveram que foi um político visionário, com uma «lucidez premonitória» e cuja visão sobre a Europa e sobre a Direita  mereciam mais e melhor reflexão. Foi a 22 de Maio de 1998, com uns ainda tenros 53 anos, que o vimos ser vítima de um enfarte do miocárdio, e que lhe roubara a possível vida longa que ainda teria para nos dar. Na véspera do 15.º aniversário da sua morte, recordamo-lo aqui, nesta casa, e recomendamos a entrevista ao filho, Jacinto, na Revista do Expresso do passado fim-de-semana. Uma conversa que o escritor português quis que fosse, acima de tudo, uma recordação bem positiva sobre o seu pai. Francisco deixou-nos um enorme legado, e uma das expressões que o filho utiliza na entrevista do Expresso resume tudo sobre Francisco Lucas Pires: «sendo de direita, tinha alma de esquerda».

Portugal. País à deriva.

Qualquer semelhança com José Sócrates é pura coincidência [ironia].

Dia Internacional dos Museus.

No Dia Internacional dos Museus, escolhemos um Museu que reflecte a identidade portuguesa. Inaugurado em 1948, oito anos após a Exposição do Mundo Português, para a qual o edifício foi criado, o Museu de Arte Popular, em Lisboa, possui um acervo que ascende a 15 mil peças de actividades artesanais populares, desde cerâmica, brinquedos a cestaria. Aproveitem, saiam, respirem museus. Eles e nós merecemos.

A «luta de classes» do Zé. Que também é a minha.

«Admiro o povo ao qual pertenço. Não o povo mitificado, admiro o povo quotidiano. Gosto de ir a feiras. Gosto de comer frango assado com as mãos. Devo tanto à cultura deste povo como devo a Dostoievski Não contem comigo para defender o elitismo cultural. Pelo contrário, contem comigo para rebentar cada detalhe do seu preconceito. A cultura é usada como símbolo de status por alguns, alfinete de lapela, botão de punho. A raridade é condição indispensável desse exibicionismo. Só pertencendo a poucos se pode ostentar como diferenciadora. Essa coleção de símbolos é descrita com pronúncia mais ou menos afetada e tem o objetivo de definir socialmente quem a enumera. Para esses indivíduos raros, a cultura é caracterizada por aqueles que a consomem. Assim, convém não haver misturas. Conheço melhor o mundo da leitura, por isso, tomo-o como exemplo: se, no início da madrugada, uma dessas mulheres que acorda cedo e faz limpeza em escritórios for vista a ler um determinado livr…