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Mensagens

A mostrar mensagens de Junho, 2011

Murro no estômago

Nos últimos dias, este blogue andou em descanso (sortudo, hein). A sua autora andou um pouco atarefada mas nunca sem espreitar o olho ao que pelo burgo se passava. Sinais preocupantes vinham do anúncio do programa de Governo. Mas hoje chegou o verdadeiro murro no estômago: O Primeiro-ministro confirmou no Parlamento que vai ser aplicado um imposto extraordinário sobre o IRS das famílias portuguesas. O valor vai corresponder a 50% do subsidio de Natal, acima do salário mínimo nacional e será aplicado só em 2011. Sim, senhor, a Troika deve estar contente e o povo cada vez mais magro. Gostava apenas de saber se não havia cortes com retorno semelhante para evitar tal situação. Pelo menos Sócrates não o chegou a fazer ou, quiçá, não teve tempo.

Platonismo recomenda...

Floresta: preservemo-la

Em ano Internacional da Floresta há problemas para debater e repensar. Para ler aqui.

O poder da imagem na revolução dos cravos

«Eram cinco horas da manhã. Estremunhado, oiço, do outro lado do fio, uma voz incaracterística, estranha até, que me avisava com impaciência e o máximo de brevidade: “Carlos, levanta-te, escuta a radio e vai para a rua. Leva a tua máquina que esta ai a Revolução». Carlos Gil descreveu assim o momento que na madrugada de 25 de Abril de 1974 lhe proporcionou acompanhar de perto aquela derradeira manhã, apelidada pela poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen de «inteira, inicial e limpa». Uma reportagem fotográfica que vale a pena e que já expôs em muita cidade deste país. Platonismo homenageia o homem e a arte de apanhar os momentos.

Soares lança avisos à navegação do Rato

Numa altura em que o PS volta à oposição, Mário Soares considera que o partido que fundou «tem de ser refundado» e «ter política a sério». Um aviso ao futuro secretário-geral e uma opinião que, já desconfiávamos, era péssima em relação ao período socrático que vigorou no Largo do Rato nos últimos seis anos.

Portugal na Hora da Verdade

O livro do momento chama-se...Portugal na Hora da Verdade, e tem o cunho do novo ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira. Este livro mostra que Portugal vive hoje três grandes crises: a crise das finanças públicas, a crise da competitividade e do crescimento e a crise do endividamento externo. Entre as questões debatidas, incluem-se: qual é o verdadeiro estado das nossas finanças públicas? Porque é que o nosso Estado gasta tanto? Quantos institutos e outras entidades públicas existem e quanto gastam? E porque estamos tão endividados? Será a dívida nacional sustentável? Quão grave é o problema de competitividade das nossas exportações? Vale a pena ler uma obra que ilustra bem o pensamento do novo super-ministro, até há pouco tempo docente da Simon Fraser University (Vancouver, Canadá), onde leccionava Política Económica e Desenvolvimento Económico.

Peter Falk (1927-2011)

Pinto Monteiro que se cuide

Marco António chega a Secretário de Estado

Marco António Costa, secretário de Estado da Segurança Social. Vice-presidente da Câmara de Gaia, onde lidou, de forma intensa, com a área social. Um homem do PSD para coadjuvar Pedro Mota Soares naquele super ministério.

Croácia: o novo elemento!

Os líderes europeus deram hoje luz verde à adesão da Croácia à União Europeia ao aprovarem a conclusão das negociações preparatórias conduzidas desde 2005 com aquele país. O alargamento prossegue num momento em que a UE vive uma das piores crises da sua história. E que tal repensarem o modelo antes de continuarem a aprovar novas entradas?

Draghi é o novo presidente do BCE até 2019

«A Europa morreu»

Vai mal o jornalismo português

Quando o Jornal de Notícias chega a manchetes como esta, muito mal vai o jornalismo nacional.

Presente envenenado?

Um presente envenenado ou uma prenda natural? Durão Barroso manifestou hoje ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, a disponibilidade da Comissão Europeia para antecipar a transferência de uma parte dos fundos estruturais comunitários atribuídos a Portugal até 2013 de modo a apoiar o crescimento económico do país durante o período de austeridade. A boa notícia surge no dia em que Passos Coelho participa em Bruxelas pela primeira vez como primeiro-ministro numa reunião dos chefes de Estado e Governo da União Europeia marcada pelos últimos desenvolvimentos da crise grega.

O fim dos tachos?

Se a limpeza for mesmo para levar a sério - e tem de ser - começou hoje. E nem foi preciso muita pressão. Pedro Passos Coelho prometeu extinguir os governadores civis, cargos ocupados por pessoas de confiança política e partidária do partido do Governo. António Galamba (na foto), governador civil de Lisboa, foi o primeiro a dar o passo antes que seja obrigado a sair e apresentou hoje a sua demissão do cargo. Tudo, depois de o primeiro-ministro ter anunciado na tomada de posse que não nomearia novos governadores civis. Pouco depois, soube-se que os governadores civis de Braga, Viseu e Beja, Fernando Moniz, Mónica Costa e Manuel Monge, respectivamente, também se demitiram. Espera-se que os restantes sigam o mesmo caminho.

Picasso: como nunca o vimos!

Na banheira, a dançar, em cuecas, no seu estúdio, a pintar. A intimidade de Pablo Picasso foi retractada por David Douglas Duncan, fotógrafo convidado a entrar na intensa vida privada do artista espanhol. O resultado dessa inclusão do fotojornalista norte-americano no mundo privado de Pablo Picasso foi agora revelado, numa exposição fotográfica patente no Museu Picasso Málaga. Ao todo são 115 fotografias tiradas por David Douglas Duncan durante os anos de partilha com o artista, que acabou por se transformar numa longa amizade que durou até à morte de Picasso, em 1973.

Parabéns, Sra. Presidenta!

Depois da primeira derrota política de Pedro Passos Coelho e da vergonha que Fernando Nobre passou, hoje, tudo foi diferente e o Primeiro-Ministro emendou a mão. A deputada do PSD, Assunção Esteves, foi hoje  eleita presidenta da Assembleia da República, com 186 votos, tornando-se na primeira mulher  a ocupar este cargo. Parabéns, sra. Presidenta!

A «cooperação activa»

Depois da cooperação estratégica e da magistratura actuante nos tempos de governação socrática, uma nova expressão presidencial é introduzida por Cavaco para o novo ciclo político: «cooperação activa».

Três homens para três anos

Os três homens-chave que nos vão conduzir nos decisivos três anos que estão à porta. Hoje, no Palácio da Ajuda, na tomada de posse do XIX Governo Constitucional.

Uma tomada de posse diferente

Esta foi uma tomada de posse governamental debaixo de uma grande tensão económica e social. Este não é só mais um Governo. Estes homens e mulheres têm a responsabilidade de fazer em tempo recorde aquilo que em mais de 30 anos de democracia não se fez. O Presidente da República, Cavaco Silva, deixou os já esperados alertas: a necessidade de obter consensos que não se esgotem na maioria parlamentar que suporta a coligação mas também na oposição, justiça na repartição dos sacrifícios e o combate à corrupção e uma cultura de exemplo. Por seu turno, Pedro Passos Coelho, num discurso de crise mas de optimismo prometeu que «é desta». Não sabemos se é desta, o que sabemos é que precisamos ser salvos. E é só isso que o povo espera. Que sejam capazes de estar à altura dos desafios, difíceis, que estão à porta. Platonismo assim o deseja também.

Mais um estilhaço no Bloco

Depois da polémica troca de galhardetes entre Francisco Louçã e Rui Tavares, eurodeputado eleito pelas listas do Bloco de Esquerda, o historiador anunciou hoje que se desvincula do grupo parlamentar do partido, mas mantém as suas funções como deputado independente no Parlamento Europeu, em Bruxelas, por falta de confiança política do coordenador do Bloco. O caso prende-se com um texto publicado por Francisco Louçã, na sua página no Facebook, na passada sexta-feira, no qual o coordenador do BE imputava a Rui Tavares uma informação errónea relativa ao nome dos quatro fundadores do partido. Fernando Rosas era substituído na história por Daniel Oliveira. «Na minha resposta — pública porque tinha sido pública a nota de Louçã — neguei que alguma vez tivesse declarado, a jornalistas ou quaisquer outras pessoas, em público ou privado, que Daniel Oliveira fosse um dos quatro fundadores do BE», diz Tavares.É só mais um caso que demonstra os estilhaços que se vão sucedendo no Bloco de …

O desassossego

«Vivo desassossegado e escrevo para desassossegar». José Saramago.

Tiro certeiro (teoricamente)

Luís Morais Sarmento, ex-director da DGO, assumirá a secretaria de Estado do Orçamento do Ministério das Finanças. Morais Sarmento é quadro do Banco de Portugal e tem uma relação próxima com o actual ministro das Finanças, Vítor Gaspar. É um nome forte para coadjuvar Gaspar no caminho difícil que aí vem.

À segunda foi de vez

A teimosia de Pedro Passos Coelho só podia dar na lamentável tarde que hoje se viveu na Assembleia da República. A primeira derrota política do novo Primeiro-Ministro não augura nada de bom aos tempos conturbados que estão para viver. Pela primeira vez, na história da democracia parlamentar portuguesa, um candidato a Presidente da Assembleia da República, Fernando Nobre, viu o seu nobre chumbado pelos deputados. E logo por duas vezes. Não houve terceira e à segunda foi de vez. A inexperiência política também é isto e a teimosia - Sócrates sabe-o bem - por vezes custa bem caro. A diferença é que não havia necessidade de uma cena tão lamentável na véspera da tomada de posse do Governo.

O risco de Passos Coelho

Miguel Relvas, o novo ministro dos Assuntos Parlamentares, deixa de ser secretário-geral do PSD, por imposição estatutária. É um perigo este o que Pedro Passos Coelho vai correr. Partidarizar o Governo ou governamentalizar o partido são dois dos riscos que nunca um líder do PSD correu quando chegou à cadeira de São Bento. Sá Carneiro deixou de ser presidente do partido quando foi eleito Primeiro-Ministro. Cavaco nunca deu nenhum cargo governamental ao seu secretário-geral nos 10 anos de «cavaquismo», e nem Durão nem Santana o fizeram. Veremos se as exigências actuais são a excepção que confirmam a regra.

Elena Bonner (1923 - 2011)

Verão quente de 2011 para os lados do Terreiro do Paço

É a primeira grande dor de cabeça do novo ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, assim que chegar ao Terreiro do Paço. O governante vai ter de poupar e muito em forças de segurança, que já estão à beira da ruptura financeira e com dívidas superiores a 100 milhões de euros. De acordo com o Diário de Notícias deste domingo, PSP e GNR são os maiores problemas que Miguel Macedo tem para resolver. Entre eles, está o pagamento de ordenados que exige, de acordo com o jornal, uma 'engenharia financeira' cuidadosa, sendo que já se chegou ao ponto de atrasar os pagamentos ao Estado para se usar esse dinheiro em despesas correntes. Tempos quentes nos esperam neste Verão de 2011.

Brasil - A luta contra o narcotráfico ganhou mais uma batalha

Foi uma grande vitória, celebrada com muitos sorrisos. O caso não é para menos. De acordo com a France Press, centenas de polícias e militares, apoiados por helicópteros, recuperaram hoje pacificamente a Favela da Mangueira das mãos dos narcotraficantes, com vista à pacificação da área próxima ao estádio do Maracanã, no Brasil. Mais de uma centena de fuzileiros e 160 polícias do Batalhão de Operações Especiais (BOpE) estiveram envolvidos na operação, que visa pacificar a zona perto do estádio antes do Mundial de Futebol de 2014, que se realizará no Rio de Janeiro. Quem viu o Tropa de Elite e 2 percebe bem porquê. A luta contra o narcotráfico ganhou mais uma batalha. A guerra, essa, ainda demorará a ser alcançada.

«A Assembleia da República é o centro da corrupção em Portugal»

«A Assembleia da República é o centro da corrupção em Portugal, pela presença de deputados que são, simultaneamente, administradores de empresas». Paulo Morais, vice-presidente da organização não governamental Transparência Internacional em Portugal, num debate sobre corrupção, organizado pelo grupo cívico-político 'Porto Laranja', afecto ao PSD, que decorreu, sexta-feira, na Invicta.

P.S. - Paulo Morais luta, há anos, pelo combate a este flagelo e foi um dos poucos, que teve a coragem de denunciar casos de corrupção na Câmara do Porto, depois de ter renunciado às funções camarárias que exerceu naquela autarquia.

Um ano depois da sua morte...

Um ano depois, a homenagem : Cinzas de Saramago enterradas debaixo de Oliveira em Lisboa.

Adeus, Bombarda!

A ala de psiquiatria do Hospital Miguel Bombarda vai encerrar para dar lugar a um condomínio de luxo. Por ali já passaram centenas de doentes e onde vivem actualmente 27. Estas pessoas vão agora ser distribuídas por várias instituições. Deixam para trás uma vida nos corredores de um dos hospitais mais emblemáticos de Lisboa. Platonismo garante que não é decisão no novo ministro da Saúde, Paulo Macedo, a unidade foi vendida em 2009 por 25 milhões de euros.

O eclipse

Henricartoon.

A frase

«São pessoas capazes que representam uma nova geração». Eduardo Catroga, a propósito do novo Governo, em declarações à SIC.

O ressabiamento é feio, muito feio...

José Lello é, como sabemos, fértil em provocar. Na sua página pessoal do Facebook escreve: «uma equipa de estagiários, sem experiência nem senioridade políticas?Uma coisa é fazer blogues,outra bem diferente é Governar um país!». O ressabiamento político é algo a que já nos habituamos vindo de Lello. Mas o que espanta é saber porque, se o anterior Governo era assim tão veterano, porque não foi capaz de colocar o país limpo da gordura do Estado. Porque não foi capaz de cortar onde era preciso e de fazer as reformas necessárias. Pior que isso só mesmo a incapacidade democrática de não aceitar um resultado eleitoral e, conhecendo apenas o elenco, dizer este tipo de barbaridades. Em Portugal é sempre assim, critica-se antes de as pessoas mostrarem se são capazes. Belas figuras o PS vai mostrando que tem.

XIX Governo Constitucional - Parte XI

A Cultura, tal como eu a vejo. Um lamento bem profundo nesta ausência de morte anunciada.

XIX Governo Constitucional - Parte X

Pedro Mota Soares, o novo ministro da Solidariedade e Segurança Social, assume, juntamente com Assunção Cristas, a nova ministra da Agricultura, Ambiente e Ordenamento do Território um lugar de destaque notório para o Largo do Caldas. São jovens, já deram provas no Parlamento da sua competência. No caso de Assunção, foi ela uma das grandes ajudas que Paulo Portas teve no Parlamento na última legislatura e na campanha eleitoral. Obviamente que Agricultura e Ambiente são pastas que a centrista, mas pode ser que a sua jovialidade e espírito combativo façam milagres. Já Pedro Mota Soares na Segurança Social é outra grande vitória para o líder do CDS. É, como se sabe, uma das grandes bandeiras do partido. São dois estreantes. Jovens. Isso pode ser um ponto a favor deles.

XIX Governo Constitucional - Parte IX

Miguel Relvas, o braço direito de Passos Coelho, é o novo rosto do Governo no Parlamento. Ao ministro dos Assuntos Parlamentares não faltará «genica» a defender a coligação de direita no hemiciclo. Sabemos bem que Relvas é um homem do aparelho, com larga experiência no Parlamento e com traços de combate muito fortes. Mas mais que o cargo, Miguel Relvas será verdadeiramente o novo Pedro Silva Pereira do Primeiro-Ministro.

XIX Governo Constitucional - Parte VIII

Aguiar-Branco, um homem da Justiça, e que Passos Coelho coloca numa pasta completamente inesperada. (Como é que os palpites da comunicação social haviam de estar certos?). Tem do seu lado uma larga experiência parlamentar e volta ao Governo pela segunda vez. Da primeira, a coisa não correu bem. Foi na Justiça e era Santana o Primeiro-Ministro de Portugal. Foi outra surpresa. Mas terá de caminhar com firmeza num sector também muito sujeito ao escrutínio mediático. Nas Forças Armadas, bem sabemos, também não há dinheiro. E tirando ajustes de ramos e hierarquias, tememos que Aguiar-Branco possa apenas resumir o seu cargo a meros actos de gestão da tutela. Sem dinheiro e sem margem para grandes mexidas, pouco resta ao ex-deputado. Merecia um desafio maior.

XIX Governo Constitucional - Parte VII

A Administração Interna é uma das pastas mais sensíveis de qualquer Executivo. Pelo menos, na minha forma de olhar a realidade nacional. Paulo Portas não conseguiu a pasta que, seguramente, almejava. Ainda assim, Miguel Macedo, com uma enorme experiência parlamentar, é, para a classe, uma incógnita. Os polícias e guardas devem estar a pensar a esta hora, mas quem é este homem? Verdade que é uma figura estranha e desconhecida para muitos. Mais: Miguel Macedo faria mais sentido na Justiça, Assuntos Parlamentares ou na Economia. Como antigo líder parlamentar bateu-se no Parlamento, com garra e determinação, ante um Governo socialista decadente. Passos Coelho não arrisca e não deu, como eu sempre disse, a pasta do MAI ao CDS. Mas, esta, é talvez a pasta que mais incertezas nos trará. Os polícias andam nervosos - não é para menos, bem sabemos - mas talvez seja bom uma figura como a de Miguel Macedo, sensata e com alguma tranquilidade para acalmar as hostes. A ver.

XIX Governo Constitucional - Parte VI

Paula Teixeira da Cruz na Justiça. Não é surpresa. Conhece-se todo o seu percurso e convicções no campo da área de vida: o Direito. É uma mulher sem casos conhecidos. Recta. Íntegra e com valores que a Justiça tanto necessita. Merece o lugar mas tem um caminho penoso e longo pela frente. A Justiça é um dos sectores mais podres que está a minar o sistema e foi um sector esquecido por quase todos durante a campanha. Precisamos de uma revolução, mas tememos que a nova ministra da Justiça não tenha a força suficiente para isso. Sobretudo quando os meios humanos e técnicos urgem, sem dinheiro na carteira e com os corporativismos à solta. Ainda assim, temos esperança. A sua dureza faz falta.

XIX Governo Constitucional - Parte V

É uma grande chapada que Ana Gomes leva e Paulo Portas nem precisa preocupar-se com eventuais processos judiciais. O novo ministro dos Negócios Estrangeiros vai ser feliz na nova função. Ninguém duvida disso. Terá a grande oportunidade para desempenhar um cargo onde ele se sente como peixe na água. Se há qualidades que Paulo Portas tem uma delas, é sem dúvida, o seu poder negocial, forte, equilibrado e vincado. A diplomacia é com ele. Esperemos que tenha sucesso numa pasta que irá andar longe da berra mediática na actual conjuntura e quando há um caderno de encargos para cumprir perante a Troika.

XIX Governo Constitucional - Parte IV

Nuno Crato é, talvez, a melhor surpresa do novo elenco governamental que, aparentemente, denota algum grau de fraqueza ao nível da experiência política. É o peso que se paga pela renovação de gerações na política e no poder. Adiante. Nuno Crato rompe completamente, a meu ver, com aquilo que os sindicatos, os professores e o sistema, aquela coisa instituída que todos nós falamos. É um homem que sempre se assumiu contra o facilitismo nas escolas, de professores e alunos, não permite que se falhe, é exigente por natureza. Porém, juntar Educação, Ensino Superior e Ciência no mesmo bolo é salganhada a mais. Bem sabemos que não queriam muitos ministérios. Bem sabemos que os cortes de estruturas do Estado - e Governo - são para seguir à risca, mas a Educação, um dos pilares mais importantes de um Estado de Direito não pode ser bem gerida e governada quando há outras músicas para tocar. Além disso, é uma incógnita em termos de desempenho político. Também no caso de Nuno Crato, achamos que val…

XIX Governo Constitucional - Parte III

Todos falharam: comunicação social e opinião pública. As Finanças, onde Vítor Bento era dado como certo - a pasta mais temível e importante deste Governo -, vai afinal para um homem que, para muitos, é uma figura estranha. Passos Coelho rejeita Catroga - e muito bem - e, ao que se sabe, levou nega de Vítor Bento. Mas Vítor Gaspar, o novo ministro das Finanças, é um dos economistas portugueses mais conhecidos no meios onde são tomadas as grandes decisões de política europeia. E é de facto de um técnico, que conheça bem os meandros de quem nos empresta o dinheiro, que precisamos. Gaspar foi durante vários anos, Director do Departamento de Estudos do Banco Central Europeu , desempenhando nesse cargo um papel muito importante no processo de decisão da política monetária da zona euro. Conhece como ninguém as consequências desta crise. É ele o homem que terá na mão parte da responsabilidade de nos tirar do fosso. Ponto fraco: a inexperiência política. Ainda assim, acho que vale a pena …